A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) negou hoje que o ex-diretor de Operações Carlos Roberto Samartini Dias, medications exonerado após a Operação Selo, da Polícia Federal, tenha participado ontem da reunião de diretoria do órgão. Em nota oficial, os Correios afirmam que Carlos Roberto foi imediatamente afastado das funções pelo presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio, assim que começaram as prisões, na semana passada.
Segundo o comunicado, a exoneração de Carlos Roberto foi publicada apenas hoje no Diário Oficial da União porque o afastamento de um diretor de empresa pública federal só pode ser feito pelo presidente da República. O decreto saiu com a assinatura do presidente em exercício, José Alencar, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em viagem ao exterior.
O texto ressaltou ainda que o afastamento levou uma semana para ser oficializado porque o presidente dos Correios precisou pedir autorização ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, para retirar Carlos Roberto do cargo.
A nota também informou que, ao contrário do que foi noticiado pela mídia, o presidente dos Correios não recebeu do Ministério Público Federal (MPF) uma suposta lista encontrada nos computadores de ex-funcionários da estatal com informações sobre o pagamento de propina por diversas empresas. De acordo com a empresa, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, recebeu apenas uma cópia do depoimento do ex-diretor do órgão Maurício Marinho ao MPF em junho e julho de 2005, além de um relatório parcial sobre fatos ocorridos em 2004.
O comunicado destacou ainda que os Correios estão colaborando com as investigações. A empresa diz que ofereceu uma força-tarefa composta de seis auditores e dois técnicos para ajudar nos trabalhos do MPF.
No último dia 2, a Operação Selo cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e prendeu cinco pessoas acusadas de atuar em um esquema de fraudes em licitações dos Correios que seria comandado pelo empresário Artur Waschek. Além de Waschek, foram detidos dois empresários e dois servidores da estatal, um deles era Carlos Roberto. Todos foram soltos na madrugada de terça-feira por ordem do juiz Ricardo Soares Augusto Leite, da 10ª Vara Federal.
Segundo a Polícia Federal, a operação foi um desdobramento das investigações iniciadas em maio de 2005, após a divulgação de um vídeo em que o então chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho recebia R$ 3 mil de propina. Na gravação, Marinho disse que as fraudes no órgão se davam com o respaldo do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ).
O episódio resultou no escândalo conhecido como mensalão, quando Jefferson acusou o governo do presidente Lula de comprar votos de parlamentares no Congresso. As investigações mostraram que Waschek foi o mandante da gravação do suborno a Maurício Marinho.