Menu
Política & Poder

Estudo aponta desinformação em massa sobre PL da Misoginia nas redes

Observatório Lupa identificou mais de 289 mil posts no X coordenados por políticos de direita, com narrativas falsas e conteúdos de IA distorcendo o projeto aprovado no Senado

Redação Jornal de Brasília

10/05/2026 10h09

Foto: Pedro França/Agência Senado

O Projeto de Lei da Misoginia tem sido alvo de uma campanha de desinformação nas redes sociais, coordenada por políticos de direita, conforme levantamento do Observatório Lupa.

O estudo analisou narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos produzidos com inteligência artificial para atacar o PL 896/2023, aprovado pelo Senado em março de 2026. O projeto define misoginia como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres e, se aprovado pela Câmara sem alterações, incluirá a condição de mulher na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), com penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas misóginas.

Entre 24 de março e 30 de abril de 2026, pesquisadores coletaram mais de 289 mil publicações no X, 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. O observatório identificou picos de desinformação, tendências narrativas e padrões de comportamento nessas plataformas.

O principal pico de engajamento ocorreu em 25 de março, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que associou o PL a outro projeto, o PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato. A publicação alcançou ao menos 751 mil visualizações em 24 horas e foi posteriormente editada para remover o trecho equivocado.

Entre as narrativas disseminadas, destaca-se a alegação de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e poderia perseguir a direita. Outras afirmavam que perguntar a uma mulher sobre TPM levaria à prisão, provocaria demissões em massa de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. Conteúdos falsos, gerados por IA, sugeriam que empresários demitiam mulheres para evitar processos.

Figuras influentes na circulação desses conteúdos incluem o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório aponta o crescimento de termos da cultura misógina ‘redpill’, retratando o projeto como ameaça aos homens, e menções irônicas a aplicativos de transporte por medo de acusações falsas.

Para os pesquisadores, as postagens ignoram que a misoginia, no escopo da proposta, relaciona-se a práticas discriminatórias que gerem constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero. ‘Ao ignorar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam a desinformação’, conclui o estudo.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado