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Política & Poder

Empresário amigo de Toffoli foi sócio de resort após saída de irmãos do ministro

Empresário Alberto Leite manteve participação indireta no Tayayá por cinco meses; fundo envolvido integra rede ligada ao Banco Master, hoje investigado no STF

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 12h51

Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

LUCAS MARCHESINI E ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

O empresário Alberto Leite, amigo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, foi sócio do resort Tayayá por cinco meses, logo depois que irmãos do ministro venderam sua participação no hotel.

Em fevereiro de 2025, Leite comprou o fundo Arleen, que tinha cerca de 16% do Tayayá. Naquele mês, José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli venderam a sua participação no hotel para o advogado Paulo Humberto Barbosa.

O Arleen, como revelou a Folha, fazia parte de uma rede suspeita de fundos ligados ao Banco Master e foi sócio dos irmãos de Toffoli por quatro anos. Na época em que Leite comprou o Arleen, não havia informações públicas sobre investigações contra o Master, e Toffoli não era relator de casos envolvendo o banco.

O empresário Alberto Leite e o ministro Dias Toffoli, do STF, na final da Champions League de 2024 – Reprodução/Instagram

Leite manteve o fundo e sua participação no Tayayá até julho, quando o Arleen, controlado pelo empresário, e o primo de Toffoli, Mario Umberto Degani, venderam suas participações no empreendimento para Barbosa, que se tornou dono único do negócio.

Até a entrada de Leite no negócio, o Arleen pertencia ao fundo Leal, controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. O Arleen não é alvo de investigação e deixou a teia do Master ao ser vendido pelo Leal —este, sim, considerado suspeito.

Leite afirmou que comprou as cotas do Arleen por meio de uma empresa chamada Sombreiro Participações, “braço de investimentos imobiliários do grupo há mais de 10 anos”. A compra foi feita “junto ao Leal Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, em operação regular de mercado, devidamente registrada nos órgãos reguladores”.

“A participação minoritária do Fundo Arleen no Tayayá, de 15,66%, foi vendida para o Fundo à Angra Doce Investimentos Ltda., em julho de 2025, com base em análise técnica pautada na geração do lucro no período. A operação foi regularmente registrada em todos os órgãos competentes, com total transparência”, acrescentou.

Pousada da Ilha, Tayayá Resort e arredores na cidade de Ribeirão Claro (PR) – Aventure-se no YouTube

Depois que o Arleen vendeu sua participação no resort, o fundo passou a deter, então, só as ações de uma empresa de Leite, a Égide I, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, além do dinheiro recebido pela venda de sua participação no Tayayá.

Leite disse que “imediatamente após a conclusão da venda, em julho de 2025, teve início o processo de liquidação do Fundo Arleen, concluído em dezembro de 2025”. “O fundo foi integralmente encerrado, com recolhimento de todos os tributos devidos à Receita Federal e com os respectivos informes registrados nos órgãos competentes”, continuou.

A amizade de Toffoli e Leite é pública desde que o ministro assistiu à final da Champions League de 2024, realizada no estádio Wembley, em Londres, em um camarote do empresário, como revelou o jornal O Globo na ocasião. O STF pagou R$ 39 mil para que ele fosse acompanhado por seguranças.

Leite esteve no Tayayá no fim do ano passado para encontrar Toffoli. Um avião em nome da RNZ Holding, de propriedade do empresário, chegou em 28 de dezembro ao aeroporto de Ourinhos, o mais próximo do resort, e foi embora no dia seguinte. Toffoli estava no resort na data, como mostra o registro de diárias dos seguranças do ministro.

O empresário reconhece que é amigo de Toffoli, mas aponta que não há negócios com a família do ministro. “Ressalte-se, desta forma, que nem Alberto Leite nem quaisquer de suas empresas possuíram ou possuem vínculos societários ou relações comerciais com o ministro Dias Toffoli ou com seus familiares”, afirmou a equipe de Leite.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha, os irmãos de Toffoli José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli dividiram o controle do resort Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando parte das cotas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. Na ocasião, o fundo era controlado por Zettel. O Arleen saiu da sociedade em 2025, já sob o controle de Leite, vendendo sua participação para o advogado Paulo Henrique Barbosa, hoje o único dono do Tayayá.

O Arleen possuía R$ 11,5 milhões em ações da Égide I no último balanço divulgado pelo fundo, de maio de 2025. A offshore foi criada em 6 de março do ano passado e tem como endereço registrado uma caixa postal em nome de uma administradora especializada na gestão de empresas em paraísos fiscais.

Documento obtido pela Folha com o órgão responsável pelo registro de companhias nas Ilhas Virgens Britânicas lista Eric Antonio Carvalho Martins como seu único diretor.

Martins é diretor de diversas empresas de Leite, como mostram procurações obtidas pela Folha, dados da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo. A principal empresa de Leite é a FS Security, de segurança digital.

Uma das empresas, a RNZ Holding, pertence à Sputnik LLC, companhia sediada no Delaware, estado americano conhecido por leis que protegem a identidade dos donos de empresas. Eric também é diretor da Sputnik.

O Arleen decidiu encerrar suas atividades em 5 de novembro do ano passado. Foi definido que todos os ativos detidos pelo fundo, no valor de quase R$ 34 milhões, seriam resgatados e o valor obtido seria pago aos cotistas.

Vorcaro e o Master são alvo dos investigadores em inquérito que apura a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos sem lastro para o BRB. Vorcaro chegou a ser preso nesse processo, mas foi liberado pouco tempo depois. Toffoli é o relator do caso Master no STF, o que significa que as investigações contra a instituição estão sob sua responsabilidade.

O ministro ficou com o caso após decisão do próprio ministro de que o assunto deveria ser julgado no STF e não mais na Justiça Federal de Brasília, com o argumento de que, entre os achados, havia o nome de um deputado federal (que tem prerrogativa de foro no Supremo).

Entenda as entradas e saídas na sociedade do Tayayá

Setembro/2021: Fundo Arleen compra 16% das ações que a Maridt Participações (irmãos Toffoli) têm no Tayayá por R$ 620 mil. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Fundo Arleen era controlado pelo cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel.

18/Fevereiro/2025: Fundo Arleen é vendido para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli. Consequentemente, Leite passa a ser um dos sócios do Tayayá.

21/Fevereiro/2025: Advogado Paulo Humberto Barbosa compra a participação da Maridt Participações (irmãos Toffoli) e SM Hotelaria e Turismo (Patrick Ferro) no Tayayá.

Abril/2025: Paulo Humberto Barbosa compra a participação de Patrick Ferro no Tayayá.

Julho/2025: Paulo Humberto Barbosa compra a participação do Arleen no Tayayá.

Setembro/2025: Paulo Humberto Barbosa compra a participação de Mario Umberto Degani (primo de Toffoli) no Tayayá.

5/Novembro/2025: Sócios do Arleen decidem encerrar o fundo.

4/dezembro/2025: Assembleia decide encerrar o Arleen e transferir seus ativos para os cotistas do fundo. Àquela altura, o Arleen detinha como ativo a Égide I Holding, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e valor aproximado de quase R$ 34 milhões. A offshore foi criada em 6 de março de 2025 e pertence a Alberto Leite.

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