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Política & Poder

Empresária Ingrid Santos passa mal e encerra depoimento na CPMI do INSS

A depoente negou conhecimento sobre esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, atribuindo a gestão das empresas ao marido.

Redação Jornal de Brasília

24/02/2026 0h05

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Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi interrompido após ela passar mal durante as perguntas do relator, Alfredo Gaspar (União-AL). O presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos para que Ingrid fosse atendida pela equipe médica do Senado, e ela deixou a sessão antes da conclusão da oitiva.

Ingrid Santos, esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, foi convocada a depor após o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, informar que não compareceria à comissão. O casal está ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões oriundos de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Cícero é apontado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, investigado pela CPMI. Segundo a comissão, parte dos recursos desviados era movimentada em contas de empresas das quais Ingrid era sócia.

Antes do depoimento, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus à empresária, autorizando-a a permanecer em silêncio. Questionada sobre as atividades do marido e o suposto envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS, Ingrid negou ter conhecimento, afirmando que a gestão ficava a cargo de Cícero. “Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso era o meu esposo, Cícero. Inclusive, ele até traiu a minha confiança quando eu vi a Polícia Federal batendo na minha porta, acordando meus filhos e constrangendo a minha família”, disse ela. A empresária completou que tudo aquilo era uma surpresa e que estar ali era difícil, pouco antes de passar mal.

Após a retomada dos trabalhos, o relator Alfredo Gaspar destacou que Ingrid recebeu, além do repassado nas contas das empresas, mais de R$ 13 milhões, dinheiro proveniente de aposentados e pensionistas. “Lágrimas, a gente nunca pode duvidar da sinceridade, mas o crime praticado também foi muito grave. O nosso objetivo é de que todos, independente de quem seja, respondam por esse prejuízo bilionário”, afirmou.

No início da sessão, Viana anunciou que recorrerá da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que desobrigou Daniel Vorcaro de depor. O banqueiro, em prisão domiciliar, foi convocado para falar sobre irregularidades em empréstimos consignados e prejuízos a aposentados via acordo do Banco Master com o INSS.

O presidente da CPMI também solicitou a prorrogação dos trabalhos por pelo menos 60 dias. O pedido foi protocolado para decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas ainda não houve resposta. Sem retorno, Viana considera recorrer ao STF para garantir a continuidade das investigações, iniciadas em 20 de agosto.

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