Uma empresa que seria da família do ex-secretário de Saúde do DF, Rafael de Aguiar Barbosa, mantém contrato com o Governo do DF desde março de 2010. O acordo com o Instituto de Doenças Renais (IDR) vence em 11 de março deste ano, após quatro prorrogações autorizadas pelo próprio Barbosa, que, em 2011, disse que não havia conflito de interesse em comandar a secretaria e, ao mesmo tempo, o órgão manter convênio com a clínica.
O IDR presta serviços de hemodiálise ao GDF nas regiões de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga e receberia R$ 389 mil por mês para atender 200 pacientes. A Secretaria de Saúde do DF não confirmou o valor, mas assegura que a empresa ainda presta serviços ao governo.
Em uma das clínicas, um atendente confirmou que a clínica “atende pacientes pelo SUS”.
No cadastro do Ministério da Saúde, a então mulher de Rafael – Andrea de Paula Bertolacini Barbosa – aparece como “gerente / administrador” do IDR. A reportagem tentou contato com Andrea, mas ela não foi localizada.
Do cargo à urna
Homem de confiança do ex-governador Agnelo Queiroz, Rafael Barbosa deixou a Secretaria de Saúde do DF para se candidatar a deputado federal. Após filiar-se ao PT, Barbosa protagonizou uma campanha eleitoral cara, conforme apontavam seus próprios colegas de partidos.
Os numerosos cavaletes espalhados por todo o DF denunciavam que o petista contava com robusto orçamento na campanha, apesar de as urnas não terem sido muito generosas com ele: foram apenas 26.399 votos.
As dobradas com deputados distritais de iniciativa do ex-secretário eram as mais caras. E os próprios petistas se revoltaram contra ele, face ao que chamaram de “concorrência desleal” na campanha
Quando a equipe do governador Rodrigo Rollemberg assumiu o Palácio do Buriti, a área da saúde foi apontada como uma das mais críticas do governo. Logo nos primeiros dias da nova gestão, o governador teve que mediar crises, como falta de medicamentos e insumos básicos para atendimento de pacientes na rede pública. A situação encontrada era tão caótica, que foi decretado estado de emergência por seis meses.
Carona na propaganda do GDF
O Instituto de Doenças Renais ganhava destaque até no material de divulgação do Governo do Distrito Federal. Em um dos textos distribuídos à imprensa, por meio da Agência Brasília, em setembro de 2014, a Secretaria de Saúde destacava a boa saúde de um paciente que fazia hemodiálise na clínica.
No texto intitulado “DF é o novo líder nacional em transplantes de rim”, o homem de 29 anos diz que fazia hemodiálise três vezes por semana no Instituto. “Minha pressão disparava cada vez que eu via a agulha da hemodiálise”, disse o paciente à equipe do governo, que fez questão de destacar a empresa da família do então secretário de Saúde, Rafael Barbosa, na divulgação institucional.
“Fora de área”
O ex-secretário de Saúde foi no procurado pela reportagem para comentar o assunto, mas seu celular estava “fora de área”.
Contrato cancelado por atraso
Na edição de ontem, o Jornal de Brasília mostrou que indícios de superfaturamento frustraram a compra de um equipamento moderno para fisioterapia, no fim de 2013. Depois das denúncias, a Secretaria de Saúde anunciara o cancelamento do contrato. Ocorre que, segundo a atual gestão da pasta, o cancelamento só ocorreu realmente em julho de 2014.
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o “contrato de aquisição do aparelho exoesqueleto robótico, utilizado para fins fisioterapêuticos, foi rescindido em 15 de julho de 2014”. E o motivo oficial, segundo informações da pasta, está longe de ser o superfaturamento – o GDF pretendia comprar o equipamento, que custaria cerca de R$ 1 milhão no mercado, por R$ 4,5 milhões. O que motivou a rescisão do contrato foi “descumprimento das propostas contratuais – atraso na entrega do produto”.
À época, a secretaria informou que contraria uma empresa para a prestação dos serviços ao GDF. A atual gestão diz que “ não há oferta deste serviço na rede pública de saúde do DF, nem qualquer tipo de contrato de prestação de serviço com a empresa BioAlpha”.