Millena Lopes
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Uma troca de notas entre os partidos do governador e do vice colocou ainda mais fogo na já crônica crise política que vive o Distrito Federal. O PSB criticou a falta de apoio dos partidos da base a Rodrigo Rollemberg, apontando que, no dia em que a Polícia Militar enfrentou os professores em greve, quem estava no comando do Palácio do Buriti era Renato Santana. Em defesa do vice, o PSD disse que são “insinuações levianas” e “críticas sem fundamento”.
No texto, distribuído pelo PSB, o partido diz que, “na ausência do governador quem comanda as forças de segurança no DF é o vice”, lembrando que no dia 28 de outubro, Rollemberg estava “a sete mil pés de altura”.
Em resposta, o PSD diz não admitir a “tentativa sórdida” de se macular a história de Santana, com o que chamou de “estratégia de uma política rasteira”.
Divergências
O texto do partido do vice-governador deixou claras as divergências entre os dois partidos: “O PSD tem discordâncias naturais ao conteúdo programático socialista preconizado pelo respeitoso PSB, mas entende que uma boa gestão governamental se dá através da ampla discussão de projetos, ações, experiências, resultados e integração”, diz a nota.
Ao Jornal de Brasília, o deputado federal Rogério Rosso, que dirige o PSD-DF, minimizou o texto incisivo da sigla dele, frisando que o texto do PSB “está deletado”, já que o momento exige união. “Não existe espaço para disputas inócuas entre aliados. Vamos olhar para a frente e trabalhar unidos pelas nossas cidades, instituições e especialmente pela nobre população do DF” .
O deputado federal alegou que considera o texto que assinou respeitoso. “Queremos muito bem a todos do PSB”, concluiu ele.
Ponto de vista
Rodrigo Rollemberg viajou no fatídico 28 de outubro para São Paulo, quando o comandante-geral da PM, coronel Florisvaldo César, teria dado a ordem para que o Batalhão de Choque enfrentasse os professores em greve – com uso de bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha – que, em manifestação, obstruíam vias da capital.
Professores foram presos e imagens da violência policial ganharam as redes sociais. Sucessivos depoimentos de políticos – da base e da oposição – pipocaram nas redes sociais. Todos em defesa dos professores. O PSB, nove dias depois, resolveu tomar partido e defender o governador, “que nem sequer estava em Brasília”, conforme destaca o presidente do partido no DF, Antônio Fúcio (foto).
“Nota do PSB foi muito infeliz”, diz Rollemberg
No PSB, a ferida ficou completamente exposta. A jornalistas, ontem, o governador Rodrigo Rollemberg disse que a nota do partido dele foi “muito infeliz”. Presidente afastado da sigla, o secretário Marcos Dantas (Mobilidade) disse que a troca de notas “não contribui”.
Um dos responsáveis pela articulação do governo, no início do mandato, Marcos Dantas considerou “descontextualizado” o texto publicado pelo PSB. E, apesar de reconhecer que o partido de Rogério Rosso “carregou na tinta”, com a nota de resposta, defendeu que os partidos deixem o assunto de lado. “Não queremos entrevero com os parceiros”, resumiu.
Erro de interpretação
Para o presidente do PSB-DF, Antônio Fúcio, houve um “equívoco de interpretação”, já que o partido pretendia apenas oferecer apoio ao governador, já que os partidos da base aliada não o fizeram. “O PSB coloca, na nota, que, naquele momento de luta política entre governo e servidores, não se ouviu uma voz em defesa do governador”, disse.
O que os aliados fizeram, argumentou Fúcio, foi aproveitar o momento político para atacar o governador. “A nota responsabiliza os políticos em geral que não tomaram uma posição. O próprio Rogério Rosso assina nota contrária ao ato, mas não faz uma defesa explícita do governador”, criticou. “Mas não tenho nada contra o PSD”.