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Política & Poder

Em SP, Tarcísio e Nunes mobilizam aliados por Flávio, enquanto PT recomeça do zero campanha de Lula

No primeiro turno, Flávio teve 51,93% dos votos válidos no estado de São Paulo, contra 38,20% do petista

Redação Jornal de Brasília

09/10/2026 12h29

Foto: Divulgação/ Governo de SP

ANA LUIZA ALBUQUERQUE, ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA, BRUNO RIBEIRO E JULIANA ARREGUY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

De um lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), passaram a primeira semana após o primeiro turno empenhados na reta final da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.

Do outro, o PT redefiniu a estratégia após a derrota de Fernando Haddad (PT) para Tarcísio e retornou às ruas nesta quinta-feira (8) para começar, do zero, uma nova campanha pelo presidente Lula (PT) no maior colégio eleitoral do país.

No primeiro turno, Flávio teve 51,93% dos votos válidos no estado de São Paulo, contra 38,20% do petista. Já na capital paulista, maior cidade do país, o petista alcançou 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% do rival.

Tarcísio, que conquistou a reeleição no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, esteve em Brasília nos primeiros dias da semana, em reuniões internas com a campanha de Flávio e em eventos com aliados.

O governador deve mergulhar de cabeça na candidatura do filho de Jair Bolsonaro (PL), como vem prometendo publicamente nas últimas semanas. Na segunda-feira (5), dia em que desembarcou na capital federal, afirmou em entrevista à CNN Brasil que irá ajudar a organizar os eventos e estruturar o estado para receber o Flávio.

Na terça (6), Tarcísio esteve ao lado do senador em Goiânia, em evento no qual Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio ao candidato –na ocasião, Flávio prometeu usar a maioria de direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar o país”.

No dia seguinte, o governador participou de reunião que oficializou o apoio do Republicanos, seu partido, ao candidato do PL no segundo turno. Tarcísio teve papel importante na costura que levou a legenda presidida por Marcos Pereira a se aliar à campanha do filho de Bolsonaro.

Como mostrou a Folha, o governador também conversou por telefone com o presidente do MDB, Baleia Rossi, para tentar buscar o apoio do partido a Flávio. O prefeito Ricardo Nunes fez o mesmo.

Nesta quinta, antes de retornar para São Paulo, Tarcísio participou ainda de evento que oficializou o apoio do Podemos à candidatura do aliado e de um ato com governadores que estão na coalizão de Flávio.

Nunes organizou para domingo (11) um almoço com Flávio e os prefeitos da região metropolitana no Shopping Light, no centro da capital. A expectativa é que compareçam 37 dos 39 prefeitos (o de Mauá, Marcelo Oliveira, é do PT, e o de Cotia, Welington Formiga, do PDT). Para a tarde, o prefeito marcou uma reunião com os vereadores da base.

Em mensagem enviada à Folha, Nunes disse que a prioridade agora é mobilizar o eleitorado. “Mostrar a importância de São Paulo para resgatar o nosso país. Os riscos de uma continuidade de um governo irresponsável, gastador, sem gestão eficiente”, escreveu.

O prefeito tem cumprido papel ativo na campanha e é apontado como o principal articulador para que o Podemos declarasse apoio a Flávio. Um auxiliar de Nunes disse que o prefeito também tem conversado com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do presidenciável, que vive nos Estados Unidos.

Há previsão de que Flávio retorne a São Paulo na terça (13), para um evento organizado pela Associação Comercial de São Paulo, no clube Monte Líbano, na zona sul da capital. O governador e o prefeito também devem participar.

NOVA CAMPANHA DO PT

O PT paulista só iniciou as movimentações para o segundo turno após uma definição do núcleo duro da campanha de Lula, em Brasília, de que o partido deveria começar uma nova campanha do zero. Os principais nomes do partido no estado se reuniram na terça e na quarta, na capital paulista, para mapear os votos e combinar estratégias de redes.

Os cabeças do PT reorganizaram funções e cobraram da militância que vá às ruas diariamente até o dia 25, quando será a votação do segundo turno. Nesta quinta, Haddad foi até a avenida Paulista, região com grande fluxo de pedestres, para panfletar.

“Para cada ‘Bolsonaro’ que você vir na rua, vire três votos para o Lula e está liquidada a campanha”, disse Haddad ao público. Ele estava acompanhado pela vereadora Luna Zarattini, eleita deputada federal pelo PT.

Assim como Tarcísio, o ex-ministro da Fazenda esteve em Brasília no início da semana para se reunir com Lula e outros integrantes da campanha. Ficou acertado que tomará a frente da coordenação no estado. O marqueteiro Otávio Antunes, que cuidou de sua campanha, auxiliará o presidente em Brasília.

Aliados do presidente que têm base política em São Paulo devem concentrar ações no estado nos próximos dias. O ministro da Secretaria-Geral Guilherme Boulos (PSOL), por exemplo, promove um ato na Praça Roosevelt, no centro da capital, na noite desta quinta.

Um apelo de diversos aliados foi para que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou São Paulo quatro vezes, seja mais presente em compromissos da campanha no estado. Também nesta quinta, ele fez uma caminhada em Paraisópolis, na zona sul da capital.

A agenda de Alckmin prevê participação dele em atos religiosos no sábado (10) e uma manifestação na Paulista no domingo (11). Na segunda (12), participará de uma missa no Santuário Nacional de Aparecida pela manhã.

Católico, o vice-presidente tem bom trânsito no meio religioso e deu declarações em defesa de Nossa Senhora Aparecida em meio à polêmica que envolveu as campanhas no 1º turno.

Embora a campanha do presidente tenha esperado quatro dias para retomar as atividades de rua, petistas disseram à reportagem que foi necessário fazer uma pausa para entender como melhor aproveitar o que o PT já tinha à disposição no estado.

Na sexta passada, antes da votação, o presidente do PT, Edinho Silva, declarou que “mesmo em estados definidos no 1º turno, nossa estrutura de campanha não vai deixar de existir”.

A ideia, agora, é reverter a vantagem de Flávio em locais onde houve maior abstenção ou nos quais a diferença de votos foi bem próxima. Um exemplo citado por um dirigente estadual foi a região de Sapopemba, na zona leste da capital paulista, com 180 mil eleitores, onde Flávio obteve apenas 1,8 mil votos a mais do que Lula.

Outra frente de atuação será no âmbito digital, que ficará a cargo, em São Paulo, de quadros com forte presença nas redes, como Luna Zarattini e Leonardo Grandini (PT), eleito deputado estadual.

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