Brasília, 15 – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem a Polícia Federal a periciar o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, que ocorreu na quarta-feira. A decisão do ministro foi o segundo recuo em relação ao caso.
Primeiro, logo após a ação, Toffoli barrou o acesso dos policiais ao que fora apreendido e determinou que tudo fosse remetido ao STF. Depois, autorizou que o Ministério Público Federal (MPF) tivesse acesso a celulares e demais itens da apreensão autorizada pelo próprio ministro do STF.
Ontem, em nova decisão, Toffoli autorizou que a PF realize a perícia do material que fora lacrado após a operação realizada nesta semana.
“Diante do encaminhamento do material referido na decisão anterior ao procurador-geral da República, para acompanhamento da extração de dados e realização da perícia do referido material custodiado no Ministério Público Federal”, escreveu o ministro em despacho assinado ontem pelo ministro do Supremo. Ele ainda nomeou quatro peritos para analisar o material. “Ressalto que os referidos peritos terão livre acesso ao material apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República para acompanhamento dos trabalhos periciais”, disse Toffoli.
Toffoli também mandou a secretaria do STF tornar pública sua decisão.
Na quarta-feira, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão contra alvos como o dono do banco, Daniel Vorcaro, seus familiares e outros investigados por suspeita de envolvimento em operações financeiras fraudulentas.
NOVA OFENSIVA
Conforme balanço da PF divulgado após a operação, os agentes apreenderam R$ 645 mil em dinheiro, 23 veículos, relógios, 31 computadores e 39 celulares, além de 30 armas. A pedido da PF, a Justiça bloqueou R$ 5,7 bilhões dos alvos dos mandados de busca e apreensão.
De acordo com investigadores do caso, o alvo da ação de quarta-feira são suspeitos de envolvimento em operações financeiras fraudulentas do Banco Master com o objetivo de desviar recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal deles.
A PF apura se o Master usava fundos de investimento para realizar operações que poderiam inflar de forma irregular o seu patrimônio.
A suspeita dos investigadores é de que os quase R$ 6 bilhões que foram bloqueados pela Justiça a pedido da PF tenham sido desviados das contas do Master, por meio de operações com fundos de investimentos, para o patrimônio pessoal de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.