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Política & Poder

Eleições: aberta busca de apoio para o segundo turno no DF

Arquivo Geral

09/10/2018 7h00

Jornal de Brasília

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

O 2º turno é um jogo completamente novo na disputa pelo Palácio do Buriti. Os candidatos Ibaneis Rocha (MDB) e o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) vão batalhar para conquistar 570.021 eleitores, cujos votos no 1º turno oscilaram entre abstenções, nulos e brancos. Também vão duelar pelo apoio dos espólios eleitorais dos concorrentes derrotados nas urnas do 1º turno, no domingo (7). Por conta das farpas trocadas na campanha, muitos pensam em não apoiar lado algum.

Despertar a confiança dos descontentes pode ser a chave para a vitória. Afinal, Ibaneis, primeiro colocado na etapa inicial da eleição, teve 634.008 votos, enquanto Rollemberg conquistou 210.510. Ou seja, virar votos brancos, nulos e abstenções pode mudar a direção os ventos da eleição.

Terceiro colocado no 1º turno, com 169.785 votos, Rogério Rosso (PSD) estuda a construção de uma nova aliança seja com Ibaneis ou com Rollemberg. Mas com uma condição. Para receber o apoio do PSD, a campanha deve ser comprometer com uma lista de 25 compromissos de governo. Caso contrário, a posição do partido será de neutralidade.

Alguns pontos vão diretamente contra as promessas de campanha de Rollemberg. Por exemplo, Rosso é a favor do fim do Instituto Hospital de Base e da Agefis.

Todavia, o apoio a Ibaneis também não é natural. Afinal, Rosso representou contra o emedebista na Justiça Eleitoral por suposta compra de votos. Segundo o ex-candidato do PSD, a ação não será retirada, mas há condições de uma aliança por Brasília.

Novato nas urnas, o general Paulo Chagas (PRP) surpreendeu nas urnas. Teve 110.973 votos, ficando na quarta posição. Aliado de primeira hora do presidenciável Jair Bolsonaro (PRP), o militar caminha para a posição de neutralidade.

“Não vou me violentar, em hipótese alguma. Se algum candidato quiser o meu apoio, vai ter que agir de acordo com o meu plano de governo. O que também é muito complicado. Eles não tem muito comprometimento com a palavra”, sentencia Chagas.

Fraga fala em decepção

Influência do Judiciário, pesquisas de opinião questionáveis e as notícias falsas, as “fake news”, protagonizam as reclamações dos candidatos derrotados no 1º turno. Com 88.840 votos, Alberto Fraga (DEM) comenta que ficou decepcionado com os efeitos de uma condenação repentina no meio da eleição. Nas palavras de Fraga, a sentença foi uma “armação”.

“O Judiciário está interferindo de forma absurda no processo eleitoral. E a forma da minha condenação não tem provas. Ela será reformada, mas depois da eleição”, critica. A redução da base eleitoral também incomodou. Na eleição passada, para a Câmara dos Deputados, teve 150 mil.

“Eu prefiro ficar neutro no 2º turno. Ibaneis eu não apoio. No Rollemberg eu bati por quatro anos. Por que iria apoiar ele agora? Seria uma incoerência minha”, comenta Fraga. Até o final de 2018, ele ocupará o cargo de deputado federal. Mas depois disso, não pretende disputar novos cargos eletivos. “As urnas estão dizendo uma coisa”, conclui.

No debate sobre as pesquisas, Rosso foi categórico. “Não pode ter divulgação de pesquisas nos 30 dias que antecedem qualquer eleição. Isso influência os eleitores. E olhe a diferença delas para as urnas”, afirma. Até a noite de segunda-feira (8), Eliana Pedrosa (Pros) também tendia a não apoiar nenhum dos rivais. Ela deixou o 1º turno com 105.579 votos.

Nesta terça-feira (9), o PSOL começará a estudar se apoia ou não algum dos candidatos derrotados. A ex-candidata do partida, Fátima Sousa conquistou 65.648 votos. Alexandre Guerra (Novo) deixou a eleição com 63.261 votos. “Vou continuar minha sina por fazer a renovação política. A gente marcou o início e não o fim”, conta. Extraoficialmente, PSOL e Novo avaliam uma composição com Rollemberg.

Saiba Mais

Ibaneis Rocha se diz de portas abertas para alianças. Contudo o emedebista avisa que não está indo para o “vale tudo” eleitoral. O candidato não julga os concorrentes como inimigos, mas só fará alianças naturais. A lógica do ex-presidente regional da OAB é que: “ideias comuns vão se juntar, aglutinar”. O candidato está próximo de selar uma aliança com Izalci Lucas (PSDB), eleito para a Senado com 403.735 votos.

Rollemberg conversou na segunda-feira (8) com candidatos eleitos e derrotados para a Câmara dos Deputados e a Câmara Legislativa. O governador pretende reforçar a aliança com a candidata recém-eleita para o Senado, Leila do Vôlei (PSB). Ela conquistou 467.787 votos.

A explosão de votos brancos, nulos e abstenções é um fenômeno polêmico. Partidos e especialistas julgam tomar decisão como essa representa uma omissão no processo democrático. Por outro lado, é uma clara manifestação de protesto de descrença no atual quadro político do País.

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