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Doria e Leite acirram disputa no PSDB e ambos projetam vitória no 1º turno em prévias presidenciais

Segundo a coordenação da campanha de Doria afirmou à imprensa nesta quinta, a estimativa é de 65% de votos do eleitorado tucano ao paulista

Por FolhaPress 07/10/2021 7h52
Foto: Agência Brasil

Carolina Linhares AROLINA LINHARES
SÃO PAULO, SP

Os governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS) afirmam que, se as prévias presidenciais tucanas fossem hoje, estariam eleitos no primeiro turno da disputa interna, marcada para 21 de novembro. Segundo a coordenação da campanha de Doria afirmou à imprensa nesta quinta-feira (7), a estimativa é de 65% de votos do eleitorado tucano ao paulista.

Já Leite faz outra projeção: de 62% de apoio a ele, contra 37% do rival -além de 1% de Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus que também concorre na eleição interna para decidir o candidato do partido à Presidência da República. O calendário tucano das prévias estipula que, caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno em 28 de novembro.

Questionado pela reportagem sobre a projeção de vitória antecipada representar um desdém em relação a campanha de Leite e seus apoios, Marco Vinholi, presidente do PSDB-SP, afirmou que não há essa leitura. “É somente a realidade dos números das prévias, que apresentamos com transparência”, disse.

Em entrevista, Vinholi e o coordenador da campanha de Doria, Wilson Pedroso, afirmaram que a vantagem do governador paulista advém do maior peso de São Paulo na composição do PSDB no país e dos apoios que Doria obteve em outros estados.

O cálculo que determina o vencedor das prévias tucanas, no entanto, não é simples -não depende exclusivamente de obter maioria entre filiados ou entre os diretórios tucanos de cada estado. Segundo as regras aprovadas pelo PSDB, a eleição será indireta. Cada grupo terá 25% de peso na votação -há um grupo de filiados; um grupo de prefeitos e vice-prefeitos; um grupo de vereadores e deputados estaduais; e um último grupo de governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, ex-presidentes do PSDB e o presidente atual, Bruno Araújo.

Portanto, as previsões atuais consideram o peso de cada estado nesse desenho. Como São Paulo concentra filiados e mandatários do PSDB em relação a outros estados, seu peso é de quase 26%. Ou seja, se todos os tucanos de São Paulo votarem em Doria, o governador larga com 26%.

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Depois de São Paulo, os estados com maior peso são Minas Gerais (13,7%) e Rio Grande do Sul (6,4%), ambos apoiadores de Leite. Membros do partido que acompanham as prévias de perto, contudo, fazem ressalvas em relação aos números divulgados por Leite e Doria, que levam em conta essa proporção de cada estado na estrutura nacional do PSDB.

O primeiro porém é o de que há dissidências nos estados, o que não permite dizer que o peso de cada unidade da federação vai corresponder à votação de Doria ou Leite. Dissidências já declaradas estão contabilizadas nas projeções tucanas, mas ainda não é possível medi-las com exatidão -principalmente entre os colégios eleitorais maiores, de vereadores e filiados.

O segundo ponto, e mais problemático, é o de que as estimativas levam em conta o total de filiados do PSDB (cerca de 1,3 milhão) e sua distribuição pelos estados, mas a grande maioria não deve votar. Para votar, cada filiado deve baixar um aplicativo e fazer sua inscrição entre 14 de outubro e 14 de novembro. Somente a partir de então, as projeções estarão mais próximas da realidade -levando em conta não a distribuição total de filiados entre os estados, mas a distribuição de filiados cadastrados nas prévias entre os estados.

O otimismo da equipe de Doria se baseia na preponderância do estado nos quatro grupos de eleitores. O Estado de São Paulo, sozinho, concentra 41% dos prefeitos tucanos do Brasil, além de 28% dos vice-prefeitos, 27% dos vereadores e 26% dos filiados, segundo Vinholi.

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A aposta da equipe de Doria é a de que os filiados paulistas, além de serem maioria, terão maior participação nas prévias em comparação com os demais estados. O estado já teve duas votações de prévias, em 2016 e 2018, o que ajuda a organizar a militância paulista.

Pedroso afirmou que a “capacidade de organização e mobilização” do PSDB de São Paulo a favor de Doria é grande. Ainda assim, o comparecimento de filiados passará longe do 1,3 milhão de tucanos. Nas prévias estaduais de 2018, por exemplo, Doria teve 80% dos votos de cerca de 15 mil filiados -o total do estado na época era de aproximadamente 310 mil.​​​​

Apoiador de Doria em São Paulo, o prefeito de Santo André, Paulo Serra, diz que a indefinição do colégio eleitoral de filiados torna a projeção de Doria vazia. “A análise que Doria propõe hoje é totalmente vazia. Isso porque as inscrições para quem estiver apto a votar vão de 14 de outubro a 14 de novembro. Hoje, não tem como levantar este número. O filiado precisa se cadastrar e isso ocorre dentro deste período”, afirma.

“O que temos hoje são os estados que apoiam os candidatos. E, neste quesito, o Leite tem muito mais estados do que o Doria. Este tipo de análise é espuma, portando vazia”, completa Serra. Até agora, Doria recebeu o apoio formal dos diretórios estaduais do PSDB de São Paulo, Acre, Distrito Federal, Pará e Tocantins.

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Leite tem ao seu lado os diretórios do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Alagoas e Amapá. Cada um dos governadores, no entanto, acumula apoios minoritários mesmo em estados considerados adversários. Doria, por exemplo, conta com a ex-governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul e com o deputado federal Domingos Sávio em Minas Gerais.

Em São Paulo, Leite tem o apoio do prefeito Serra, do vereador da capital paulista Xexéu Tripoli e de dois ex-presidentes do PSDB-SP. O governador de São Paulo já esteve em 14 estados em agendas relacionadas às prévias e pretende alcançar os 27 até o dia 21 de novembro.

Nesta semana, Leite interrompeu a campanha das prévias para atender a compromissos do Governo do Rio Grande do Sul na Europa.

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