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Política & Poder

Dirceu assegura que o processo por escândalos de 2005 está sob suspeita

Arquivo Geral

30/08/2007 0h00


O ex-chefe da Casa Civil José Dirceu afirmou hoje que o processo que o Supremo Tribunal abriu por causa dos escândalos de corrupção de 2005 está “sob suspeita” e foi impulsionado pela “ditadura midiática que impera no país”.

Dirceu, drug que até 2005 era considerado o homem mais poderoso no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, renunciou a seu cargo por causa desses escândalos e agora será processado pelos delitos de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Além disso, o Supremo decidiu julgar outras 39 pessoas, entre elas dois ex-ministros, um ex-presidente da Câmara dos Deputados, legisladores e dirigentes de cinco partidos políticos, entre as quais está o PT, fundado por Lula.

Dirceu convocou hoje em São Paulo uma entrevista coletiva, na qual pela primeira vez falou publicamente sobre a decisão do Supremo, que, segundo declarou, o deixou “perplexo”, “estupefato” e “quase em pânico”.

O ex-ministro citou um artigo publicado hoje no jornal “Folha de São Paulo”, segundo o qual o juiz Ricardo Lewandowski, um dos dez membros do Supremo, declarou que a imprensa “intimidou o tribunal” e fez com que ele decidisse o caso “com uma faca no pescoço”.

O ex-ministro, que insistiu em sua inocência, considerou que se “isso for verdade, não se pode garantir um julgamento dentro do que diz a Constituição e as leis”, por isso que exigiu que o Supremo se pronuncie oficialmente sobre o assunto.

Esclareceu, além disso, que devido à “ditadura da imprensa”, que na sua opinião o condenou de antemão, tem “sérios temores” por seu futuro.

Embora não tenha havido nenhum pronunciamento oficial do Supremo, pelo menos dois juízes rejeitaram com indignação as declarações atribuídas a Lewandowski.

O juiz Carlos Ayres Britto declarou a jornalistas que “ainda não nasceu” que possa colocar “uma faca em seu pescoço” e garantiu que “em nenhum momento” se sentiu “encurralado” pela imprensa.

O magistrado Gilmar Mendes se pronunciou em termos similares e assegurou que “duas das características mais fortes do Supremo são sua tradição republicana e o fato de não ceder a pressões de nenhum tipo”.

Segundo a acusação formulada pela Procuradoria Geral, Dirceu atuava como “chefe incontestável de uma organização criminosa” que se valeu de seu poder no Governo para tecer uma complicada rede de arrecadação de dinheiro, obtido em forma ilegal em empresas públicas e privadas.

Com esse dinheiro, a Procuradoria sustenta que o PT financiou os subornos que supostamente pagou a dezenas de legisladores entre 2003 e 2005, que serviu para construir a maioria parlamentar que as urnas não tinham dado ao Governo Lula.

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