A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou hoje que o Brasil tem uma clara posição de rejeição ao narcotráfico, ao ser questionada sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), após uma reunião nesta quarta-feira com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.
“Brasil tem uma posição muito clara contra o narcotráfico e a Colômbia sabe disso”, respondeu Dilma, favorita nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de 3 de outubro, ao ser perguntado sobre o que conversou com Santos a respeito das Farc pelos jornalistas.
A ex-chefe da Casa Civil, escolhida diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidata à sucessão, acrescentou que o Brasil só deve mediar uma possível negociação de paz com essa organização se o Governo colombiano assim solicitar.
“Não temos por que participar (de qualquer diálogo) salvo que haja algum pedido da Colômbia, porque as Farc não são um problema do Brasil”, disse a candidata governista na saída da embaixada da Colômbia no Brasil, em onde se reuniu com Santos.
“Colômbia tem plena consciência do respeito que teve o Governo Lula (frente a sua soberania em meio ao conflito interno)”, acrescentou Dilma, que deu a entender que manterá essa posição em caso que ser eleita.
Acrescentou que, em um eventual Governo seu, manterá todos os planos de vigilância conjunta na fronteira estipuladas pelo Governo brasileiro com seus vizinhos e que os reforçará com a aquisição de novos aviões não-tripulados.
“Compartilhamos a ideia que a segurança na fronteira é crucial. A participação do Brasil nesta área tem de ser maior para que o crime organizado não penetre pelas fronteiras”, acrescentou.
Dilma classificou como “excepcional” sua reunião com Santos, que chegou ontem a Brasília para primeira visita ao exterior desde que assumiu como presidente em 7 de agosto.
“Fiquei encantada com a visão estratégica de Santos”, acrescentou.
A candidata governista disse compartilhar a visão do presidente colombiano sobre a importância da relação entre os dois países.
“Também estou de acordo com ele em que esta será a década da América Latina e em que há muito para trabalhar nos campos de cooperação em energia, produção de alimentos, agricultura e indústria”, afirmou.
Dilma assinalou que Santos se interessou sobre os planos de inclusão social e de agricultura familiar do Governo Lula, que ela coordenou como ex-ministra-chefe da Casa Civil, porque os mesmos poderiam ser aplicados nos programas de substituição de cultivos ilícitos do país andino.
Acrescentou que, em caso de vencer as eleições, manterá a disposição do Governo brasileiro de colaborar com o colombiano na área agrícola.
Pelas últimas pesquisas de intenções de voto, Dilma tem 51% das intenções de votos, o que garantiria uma vitória ainda no primeiro turno.
A candidata tem uma vantagem de 24 pontos sobre José Serra (PSDB), quem receberia 27% dos votos e com quem Santos se reunirá amanhã em São Paulo.