Fabio Grecchi
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Bem perto de confirmar sua eleição à Presidência da República ainda no primeiro turno (veja na página 6 novo resultado de pesquisa do Datafolha), Dilma Rousseff tem tudo para agir como o presidente Lula em 2002, quando abrigou sob o enorme guarda-chuva do Governo Federal os companheiros petistas que foram derrotados nas urnas, ou foram preteridos na indicação aos governos estaduais por causa de alianças locais.
Os nomes têm peso: entre os petistas, Aloizio Mercadante (SP), Fernando Pimentel (MG) e Patrus Ananias (MG) são alguns que podem integrar o futuro primeiro escalão da presidenta. E personagens improváveis, como Ciro Gomes, podem se agregar a esta lista. Sem contar peemedebistas – como Hélio Costa, Geddel Vieira Lima e Eunício Oliveira –, por conta do gordo quinhão que o partido já avisou que pretende levar.
Em 2002, o compromisso de Lula era somente com os “cumpanheros” derrotados nas urnas. Mas por causa das alianças e da base de sustentação no Congresso, cedeu às pressões e abriu espaço para corpos estranhos no primeiro escalão, como Anderson Adauto (PL, depois PR), então ministro dos Transportes, e Walfrido dos Mares Guia (PTB), ex-titular do Turismo. Naquela época, o PMDB não fazia parte da aliança, pelo menos oficialmente – houve setores que fecharam com Lula, mas na verdade compunham com o então candidato José Serra.
Agora, o leque da aliança em torno de Dilma é bem mais amplo e o PMDB já disse que não abre mão de protagonismo – sobretudo por ter o (até agora) futuro vice-presidente da República. Com a eleição de Hélio Costa ameaçada por Antônio Anastasia (PSDB), em Minas, em caso de derrota são boas as chances de voltar ao mesmo Ministério das Comunicações, que ocupou até meses atrás.
Outro peemedebista que pode abiscoitar um cargo no futuro governo Dilma é Eunício Oliveira, cada vez mais ameaçado por José Pimentel (PT) na disputa ao Senado pelo Ceará – estão em empate técnico (31% a 27%, segundo o último Datafolha, enquanto Tasso Jereissati [PSDB] está isolado com 51%).
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