Após o sumiço de Galeno Furtado, ex-presidente da comissão da licitação dos ônibus no governo Agnelo, cresceu na CPI do Transporte da Câmara Legislativa a expectativa sobre seu comparecimento. Galeno estaria viajando na semana passada e prometeu ir à próxima reunião, quinta-feira. Ainda assim, os deputados duvidam e preparam uma ofensiva.
A última reunião tinha tudo para dar rumos concretos para a CPI, mas a falta de Galeno adiou os planos dos parlamentares. Junto com o aviso de que não iria, estavam cópias do aviso de férias na carteira de trabalho e uma passagem dos Estados Unidos para Brasília, datada do mesmo dia do depoimento.
A solução foi fazer outra convocação para a semana que vem, contar com a sorte e com a boa vontade do ex-presidente da comissão de licitação.
Celina Fala até em fuga
Mesmo sem ser integrante da CPI, a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, criticou a recusa do depoente a comparecer. Ela levanta a hipótese de que a viagem significaria uma fuga. Convocado outras duas vezes, Galeno se recusou a prestar depoimento. Está cedido à prefeitura da cidade goiana de Alexânia há quase dois anos.
“Essa cessão foi um prêmio que ele recebeu para não vir depor. Antes era um requerimento, mas hoje temos uma CPI aberta. São instâncias jurídicas diferentes e ele não pode se furtar de vir aqui responder. Ele sabia que seria convocado. Viajar para os Estados Unidos e voltar quase no mesmo dia é muito estranho. Inclusive temo que ele possa ter fugido do País”, disse, sem descartar que a Polícia Federal seja comunicada.
Ao levar a última intimação, os agentes da Polícia Legislativa relataram que viram Galeno Furtado em casa, mas não tiveram sucesso na abordagem. Restou-lhes entregar o documento para o filho assinar.
Para evitar nova frustração, o presidente da CPI, Renato Andrade, já adiantou que vai mudar de estratégia. “Não vamos cair na armadilha dele de novo”, prometeu. Levar o depoente à força é um dos trunfos, mas apenas caso ele se recuse a falar mais uma vez.
Hora de provar que não é laranja
Segundo o bispo Renato, Galeno precisa provar que não é foi o laranja da licitação fraudulenta. Por isso, o presidente da comissão de licitação para tirar conclusões diferentes das que já existem. “Vamos usar o silêncio dele contra ele. Há provas claras de que ele apenas era o nome à frente da comissão de licitação, comandada, na verdade, por outro. Assim, ele terá essa oportunidade de se explicar”, avaliou.
Já o relator, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), evitou polemizar sobre uma possível recusa a responder as perguntas. “O melhor para a CPI é que falem tudo o que sabem para que o transporte melhore. Não há constrangimento em permanecer calado, mas nos dá direito de construir um raciocínio de que a pessoa pode estar escondendo algo”, avaliou.
O advogado de Galeno Furtado criticou as declarações dos parlamentares e garantiu que seu cliente falará. “Quem disse que viu o Galeno em Brasília pode ir para o hospício. O pessoal faz circo onde não tem nada. Ele vai prestar depoimento e dizer o que sabe, caso seja intimado, é claro”, prometeu.