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Política & Poder

Deputado reage a Zema e diz: “Quem sempre mamou nas tetas do governo foram os estados do Sul e Sudeste”

Para Adriano Galdino; “É preciso acabar com essa falácia de que o Nordeste vive às custas da União

Redação Jornal de Brasília

03/09/2025 21h15

galdino

Foto: Ascom/ALPB

Por O Norte
Parceiro do Jornal de Brasília na Paraíba

Na manhã desta quarta-feira (3), a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) viveu uma sessão marcada pela indignação contra as declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Em um vídeo exibido no plenário, Zema voltou a afirmar que o Sudeste estaria “cansado de subsidiar” o Nordeste. A resposta foi imediata: o presidente da Casa, Adriano Galdino, classificou o discurso como preconceituoso e recheado de distorções históricas e econômicas.

O parlamentar ressaltou que os dados oficiais mostram uma realidade oposta à narrativa do governador mineiro. Ele lembrou que, em 2024, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou quase R$ 100 bilhões em financiamentos para o Sul e o Sudeste, contra apenas R$ 13 bilhões para o Nordeste.

Galdino destacou ainda que, em 2025, a renúncia fiscal concedida a empresas do Sudeste alcançou R$ 256 bilhões, quase quatro vezes mais do que os R$ 79 bilhões destinados ao Nordeste.

Outro argumento desconstruído foi o de que programas sociais como Bolsa Família e BPC estariam concentrados no Nordeste. “A maior despesa com Bolsa Família e BPC está em São Paulo. Eles repetem essa falácia porque querem reforçar a visão preconceituosa de que somos um peso para o Brasil, quando a realidade é justamente o contrário”, afirmou.

Na comparação das grandes obras, o presidente da ALPB lembrou que a Usina de Itaipu, no Paraná, custou 300 vezes mais do que a transposição do Rio São Francisco, sem jamais ser alvo do mesmo tipo de crítica.

“Minas Gerais é quem mais deve”

Com tom incisivo, Adriano Galdino devolveu a acusação: “É preciso acabar com essa falácia de que o Nordeste vive às custas da União. Quem sempre mamou nas tetas do governo foram os estados do Sul e do Sudeste. Minas Gerais, inclusive, é o que mais deve ao Brasil e articula politicamente para não pagar sua dívida.”

O parlamentar defendeu ainda a união da imprensa e da classe política nordestina para desconstruir o que chamou de discurso racista e preconceituoso.

Adriano reconheceu os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em distribuir investimentos de forma mais equilibrada, mas ressaltou que a desigualdade ainda é evidente. “Com o novo PAC, o Sudeste terá R$ 760 bilhões, enquanto o Nordeste ficará com R$ 700 bilhões. É um avanço, mas ainda desigual”, avaliou.

O episódio reforçou o compromisso da Assembleia da Paraíba em atuar como voz ativa na defesa da região. “Não aceitaremos mais falas preconceituosas contra a nossa terra. Precisamos dar a resposta com dados, com firmeza e com consciência do nosso valor para o Brasil”, concluiu Galdino, sob aplausos no plenário.

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