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Deputado do PT pede cassação de colega que chamou papa e arcebispo de ‘safados’ e ‘pedófilos’

Em discurso na semana passada, o deputado chamou o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados”

Por FolhaPress 18/10/2021 9h09
Foto: José Antônio Teixeira/Alesp

Mônica Bergamo
SÃO PAULO, SP

O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) entrou com uma representação junto ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) contra o parlamentar Frederico d’Avila (PSL) por quebra de decoro. Em discurso na semana passada, o deputado bolsonarista chamou o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados”.

“A vociferação agressiva do deputado Frederico d´Avila contra o arcebispo dom Orlando Brandes, contra a CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e contra o papa Francisco em muito extrapola o seu direito de expressão como deputado estadual”, afirma Fiorilo em sua representação.

“Desta forma, excede o manto da sua imunidade parlamentar, o que caracteriza a quebra de decoro”, segue o petista, que pede que d’Avila seja punido com a perda de seu mandato. Ao menos outros dois deputados, Emidio de Souza (PT) e Luiz Fernando (PT), também representaram contra d’Avila.

As declarações do parlamentar do PSL foram dadas em reação a críticas feitas por Brandes em sermão de missa no feriado de 12 de outubro. “Seu vagabundo, safado da CNBB, dando recadinho para o presidente [Jair Bolsonaro], para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha, seu safado”, afirmou d’Avila na tribuna da Assembleia.

“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito e do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, seguiu.

Em Aparecida, antes de visita do presidente Jair Bolsonaro ao local, o arcebispo pregou: “Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada”.

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O religioso fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e as notícias falsas e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus. No mesmo dia, mas à tarde, Bolsonaro esteve no Santuário Nacional de Aparecida, onde foi recebido com aplausos e vaias, e ouviu um outro sermão com referências à situação atual do país, incluindo o desemprego e a pandemia.

Em carta divulgada no domingo, a CNBB pediu ao presidente da Assembleia, Carlão Pignatari, que adote medidas contra d’Avila. A entidade afirma que também vai levar o assunto à Justiça, por meio de uma interpelação, para que o deputado preste esclarecimentos sobre as ofensas e acusações.

“Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”, diz a CNBB.

“A CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade -sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada”, segue.

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