Menu
Política & Poder

Denúncias não deixam envolvidos sem votos

Arquivo Geral

29/03/2010 9h00

No Brasil, políticos envolvidos em denúncias de corrupção continuam mantendo seus eleitores. Diante da maior crise política que a capital da república já enfrentou, com direito a cenas explícitas de parlamentares dos mais variados escalões recebendo dinheiro de origem supostamente duvidosa, há quem defenda e garanta o voto ao governador cassado e preso José Roberto Arruda (sem partido).
 Nas eleições de outubro, é certo que Arruda não concorrerá.  Mas se, hipoteticamente, ele pudesse concorrer nas próximas eleições, que fosse a deputado distrital, poderia, sim, angariar um número considerável de votos.
 Não há, é claro, nenhuma análise quantitativa em relação a isso, que se mostra aqui como um ponto de partida para o aprofundamento da discussão com especialistas sobre como e por que esse fenômeno acontece. No livro A Cabeça do Eleitor – Estratégia de Campanha, Pesquisa e Vitória Eleitoral, da Editora Record, o especialista Alberto Carlos Almeida descreve como funciona a forma de pensar do eleitor brasileiro.
 O autor, que também escreveu o best-seller A Cabeça do Brasileiro, defende que mais do que misteriosa e volúvel, a mente do eleitor é bastante previsível, portadora de um certo padrão de pensamento.

Gestão

 Um dos aspectos ressaltados na obra é o de que o eleitor avalia, basicamente, se aprova ou reprova uma gestão. Por esse prisma, é possível entender por que tantas pessoas reelegeriam Arruda ou outros políticos que administram bem ou realizam benfeitorias para a cidade, embora tenham sido acusados de ilicitudes com o dinheiro público.
 Almeida aponta também que o candidato a um cargo público deve possuir uma identidade clara para o eleitor. Definida essa identidade, o que poderia ser reduzido, em primeira instância, a classificações como governo ou oposição, certas mancadas na vida pública poderiam até ser perdoadas, como a célebre afirmação dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que os aposentados eram vagabundos.
 Ao ser questionado, por exemplo, sobre qual o melhor motivo para se votar em César Maia, o eleitor pode dizer que ele é um bom administrador. O que poderia, aqui, ser comparada à gestão de José Roberto Arruda, bastante elogiada pelas mudanças administrativas realizadas na cidade.
 Mas se perguntarem ao mesmo eleitor o que mais poderia destacar do candidato, é como se não importasse, já que o político é tão claramente reconhecido como um bom administrador que esse motivo serviria de plataforma para qualquer outra razão que viesse a ser adicionada.

Debaixo de tapete

 Na análise de Almeida, se há apenas um motivo forte para que se defenda um candidato, o resto, incluindo defeitos, é varrido para debaixo do tapete. É válido ressaltar que não se trata de algo a ser defendido como correto, mas se trata da lógica do eleitor, que no livro é exposta não só em argumentações e teses, mas em inúmeras tabelas e exemplos práticos ocorridos na história política recente do País.
 Para o cientista político Cesar Romero Jacob, professor da Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), autor de vários estudos sobre eleições brasileiras, há uma contradição forte em Brasília: embora a cidade viva de política, ainda impera aqui o analfabetismo político. “Podemos dizer que a principal indústria de Brasília é a política, mas ainda assim a escolha se dá por políticos clientelistas”, explica. Autor também de um estudo sobre religiões e escolhas políticas, ele já veio a Brasília para reunir dados acerca da cidade e do Entorno.

LEIA mais no Jornal de Brasília

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado