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Política & Poder

Debate expõe as fragilidades de Roriz

Arquivo Geral

13/08/2010 0h49

Foi um debate bem mais interessante que o da Presidência da República, semana passada. Se não foi quentíssimo, esteve longe de ser desinteressante, sobretudo por causa da má situação em que Joaquim Roriz ficou a maior parte do tempo. Não apenas porque, a certa altura, Agnelo Queiroz, Eduardo Brandão e Toninho do PSOL crivaram o ex-governador com perguntas incômodas, mas porque o próprio ex-governador não se ajudou ao não explicar por que renunciou ao mandato no Senado. Mas isso não quer dizer que o petista passou incólume: foi cobrado com veemência, por Brandão e Toninho, pela presença de alguns personagens que compartilham da sua coligação. Sobretudo seu vice, Tadeu Filippelli.

Toninho e Brandão estavam de franco-atiradores, até pelo fato de que, pelo menos conforme apontan as pesquisas, têm poucas chances de chegar ao GDF. Mas também apresentaram pouquíssimo em matéria de propostas. Falaram sobretudo em ética, moralidade, honestidade, mas não deixaram claro, com pretensões firmes, o que pretendem em setores como Saúde, Educação, Segurança Pública e Transportes.

A primeira saia-justa foi quando Roriz foi cobrado sobre sua renúncia à cadeira no Senado. Targiversou e não respondeu com precisão, afirmando apenas que não era uma pessoa de Legislativo e que tivera uma atitude corajosa. Brandão, que lhe fizera a pergunta, lembrou que o ex-governador deixou a Casa alta do Congresso para não ter o mandato cassado e ficar com os direitos políticos suspensos por oito anos.

Roriz continuou em má situação, sobretudo quando perguntaram se poderia precisar se foi no seu governo que a corrupção que derrubou o ex-governador José Roberto Arruda. O ex-governador, genericamente, disse que não conhecia o caráter do seu ex-auxiliar e que, se tivesse sabido antes, o teria punido.

Outro momento interessante foi quando cobraram de Brandão de que maneira ele faria para obter maioria na Câmara Legislativa para governar. Como o comentário deveria ser feito por Roriz, a bola fora levantada, sobretudo depois que o ex-governador disse que o GDF não se imiscuiria nos assuntos do Legislativo. Foi lembrado que tal prática simplesmente é irreal pelo candidato do PV.

Para culminar, Roriz ainda conseguiu irritar os adversários nas considerações finais, quando disse que estava eleito no primeiro turno. Ouviu uma saraivada de críticas, sobretudo de seu concorrente direto, Agnelo, que insinuou que os 20 pontos de vantagem que pusera sobre o petista não passavam de fraude.

Mas isso não quer dizer que a vida de Agnelo foi tão mais fácil que a de Roriz. Sobretudo quando indagado por Toninho sobre a presença de Tadeu Filippelli como vice na chapa, que teria endossado – quando estava fechado com Roriz – a proliferação do “transporte alternativo”. O petista também complicou-se para responder e saiu pela tangente ao afirmar que todos os partidos que compõem a coligação estão juntos “pelo amor ao Distrito Federal” e que tomaram uma decisão nobre e elevada. Agnelo concluiu: “não roubo nem deixo roubar”.

O candidato do PT também se complicou, e para o frágil Roriz, quando foi obrigado a explicar como faria para acumular o comando do GDF com a Secretaria de Saúde. O ex-governador, aliás, disse que não será vestindo jaleco branco e visitando as unidades hospitalares que a situação da Saúde vai melhorar. Roriz, aliás, tem como principal meta de campanha a criação da Cidade da Saúde, que pretende tornar referência para todo o País.

Como fez o candidato Plínio de Arruda Sampaio no debate presidencial, Toninho colocou-se como crítico de todos os adversários. Objetivo plenamente atingido, considerando-se que tanto Roriz quanto Agnelo tinham muito a explicar, sobretudo no momento em que os jornalistas passaram a fazer perguntas. Brandão, menos enfático, viu-se em situação complicada quando foi lembrado de que fora secretário do Meio Ambiente no governo Arruda. A resposta foi a padrão: saiu do GDF quando sentiu cheiro de algo podre no ar.

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