CATIA SEABRA, CAROLINA LINHARES, MARIANA BRASIL E THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A campanha de Lula (PT) compara a situação do presidente nesta eleição aos números de Dilma Rousseff (PT) em 2014 para alimentar a esperança de uma virada contra Flávio Bolsonaro (PL) após a pesquisa Datafolha mostrar o bolsonarista com 52% dos votos válidos, ante 48% do petista.
O levantamento divulgado nesta quinta-feira (8) é o primeiro feito pelo instituto no segundo turno. A campanha de Flávio, por outro lado, comemorou o resultado, já que o crescimento do candidato do PL supera o do PT em relação à votação do primeiro turno, no qual o filho de Jair Bolsonaro (PL) terminou à frente com 47,03%, contra 45,16%.
A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos, então os candidatos estão em um empate técnico no limite dela, mas estatisticamente isso é considerado improvável. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são a métrica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o placar final no dia do pleito.
Ao ser informado da sua pontuação no Datafolha, Lula afirmou que o único jeito de vencer seria ganhar votos. “Não avalio pesquisa, não trabalho assim. Trabalho para ter mais voto do que o Flávio nas eleições. E minha obrigação é trabalhar para isso”, disse o petista na sede de sua campanha, em Brasília.
“Eu vou ganhar voto. O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhando voto. Eu estou convicto que eu vou ganhar as eleições”, completou.
Petistas estão usando a virada de Dilma sobre Aécio Neves (PSDB), em 2014, como um exemplo de que Lula pode crescer no segundo turno. No primeiro Datafolha da segunda etapa da eleição, o tucano teve 51% dos votos válidos, e a então presidente marcou 49%, mas acabou vencendo a disputa.
Os aliados de Lula afirmam ainda que Aécio tinha rejeição menor do que a de Flávio e lembram que Dilma, assim como Lula, também tinha dificuldade com a avaliação do governo.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, relembrou a eleição de 2014 em um post, afirmando que “a virada começou”, que o “segundo turno é uma nova eleição, uma nova disputa” e que “ela está em aberto”.
“O debate entre os dois candidatos é inevitável, a comparação entre as duas biografias é incontornável. Disso nem Flávio nem a campanha dele vão conseguir fugir”, publicou nas redes.
Aliados do presidente também vão tentar rotular o adversário como candidato do sistema após Flávio receber apoio de partidos que compõem o chamado centrão. Eles vão argumentar que o rival já está loteando seu governo antes mesmo de ser eleito.
Unindo as duas estratégias, petistas vão passar a chamar Flávio de “novo Aécio”.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirma que Flávio Bolsonaro está se aliando ao que a sociedade rejeita, incluindo os beneficiários do orçamento secreto. “Vamos carimbá-lo como o candidato do sistema”, disse, apostando na possibilidade de virada de Lula.
Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio Carvalho diz estar otimista porque, apesar de ter abraçado o sistema e loteado um governo inexistente, Flávio Bolsonaro não atingiu nem 50% das intenções de voto na pesquisa, quando considerados os votos totais (o placar foi de 49% a 45%).
“Flávio foi abraçado pelo sistema que jurou combater. Loteou o governo que não vai assumir. Fez um acordo com o Supremo, com [Ronaldo] Caiado, [Romeu] Zema e com tudo. Ainda assim, não cresceu. Vamos ganhar”, disse.
Integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro, por outro lado, afirmaram que a pesquisa foi bastante positiva, mostrando que o presidenciável do PL avançou cinco pontos considerando o último levantamento do primeiro turno, enquanto Lula subiu três.
A avaliação interna é de que o petista não tem de onde tirar os votos necessários para ultrapassar o bolsonarista, principalmente depois que Flávio angariou o apoio dos presidenciáveis derrotados, com exceção de Renan Santos (Missão), e dos partidos do centrão.
Ainda assim, a ordem na campanha é a de manter a mobilização e repetir que não há eleição ganha. Nesta quinta, em um evento com governadores e senadores da direita eleitos no domingo (4), Flávio pediu que os comitês eleitorais não sejam desmobilizados nos estados e que os apoiadores continuem compartilhando conteúdos na internet.
“Tem muito trabalho a ser feito, óbvio. […] As lideranças de cada estado, majoritariamente, esmagadoramente, estão com a gente, querem mudança também. Assim que eu pretendo conduzir esses próximos dias, com muita energia, pedindo mais uma vez: não tem eleição ganha. Todo mundo que está nos assistindo, arruma mais um votinho para gente”, disse.
Aliados do candidato do PL afirmam ainda que a pesquisa subestima o desempenho da direita nas intenções de voto. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), eleito senador, ironizou o resultado nas redes sociais ao afirmar que, “se o Datafolha mostra esse cenário, estamos muito à frente”.
O Datafolha foi às ruas na terça-feira (6) e na quarta, em um trabalho encomendado pela Folha e pela TV Globo registrado com o código BR-02949/2026 no TSE. Foram entrevistados 2.520 eleitores em 153 municípios.