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Política & Poder

Damares expõe nomes citados na CPMI do INSS após embate com Malafaia

Linha fina: Senadora afirma que dados são públicos, denuncia pressões para barrar investigações e reacende tensão entre a CPMI e lideranças evangélicas

Redação Jornal de Brasília

15/01/2026 11h45

damares

Marcos Oliveira/Agência Senado

A senadora Damares Alves tornou públicos os nomes de igrejas e pastores mencionados na CPMI que investiga fraudes no INSS, em um movimento que intensificou o confronto com lideranças religiosas. A divulgação ocorreu após críticas diretas do pastor Silas Malafaia, que acusou a parlamentar de levantar suspeitas sem apresentar responsáveis, chegando a chamá-la de “linguaruda” nas redes sociais.

O estopim da crise foi uma entrevista concedida por Damares no último domingo, na qual ela afirmou que a comissão identificou a atuação de “grandes igrejas” e “grandes pastores” em esquemas ilegais envolvendo benefícios previdenciários. Segundo a senadora, desde então a CPMI passou a sofrer pressões sistemáticas para que as apurações não avancem, vindas tanto de pessoas quanto de instituições interessadas em conter o alcance das investigações.

Em resposta às cobranças, Damares publicou uma nota no Instagram na qual reforçou seu protagonismo na criação da comissão. Ela lembrou que foi autora do requerimento que originou a CPMI do INSS, instalada em 2025, e que participa dos trabalhos como membro titular desde o início. A senadora destacou ainda que os dados divulgados não são fruto de conjectura, mas constam em documentos oficiais, já analisados e aprovados pelos integrantes da comissão.

Entre as instituições citadas estão a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church e a Igreja Evangélica Campo de Anatote — todas alvo de pedidos de quebra de sigilo. No campo individual, aparecem como convidados ou investigados pastores como Cesar Belucci, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, alguns deles também alvos de medidas de aprofundamento das apurações.

Ao comentar o caso, Damares afirmou sentir “tristeza e desconforto” diante da possibilidade de envolvimento de líderes religiosos em fraudes contra aposentados, mas ressaltou que a CPMI não pode se furtar ao seu papel constitucional. Para ela, o dever da comissão é investigar com imparcialidade e base documental, independentemente da relevância social ou religiosa dos citados.

— Estamos falando de aposentados lesados. Quando surge o nome de um grande líder religioso, imediatamente aparece a pressão para que se silencie, sob o argumento de proteger os fiéis. Isso me machuca profundamente — afirmou a senadora em entrevista ao SBT News.

A reação de Malafaia foi imediata. Após a divulgação da lista, o pastor acusou Damares de generalizar acusações e de atingir toda a Igreja Evangélica ao falar em “grandes igrejas” sem, inicialmente, apontar nomes. Em nova postagem, classificou as declarações como levianas e disse que elas colocam sob suspeita um segmento inteiro da sociedade.

Em vídeos anteriores, Malafaia havia sido ainda mais duro, exigindo que a senadora citasse nominalmente os envolvidos ou se retratasse publicamente. Segundo ele, denúncias dessa natureza, sem identificação clara dos responsáveis, apenas alimentariam ataques contra a fé evangélica.

Enquanto a disputa pública se intensifica, a CPMI segue avançando nos trabalhos. O presidente da comissão, Carlos Viana, informou que, em fevereiro de 2026, será apresentado o primeiro balanço do relatório preliminar. Embora o encerramento esteja previsto para março, Viana defende a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, alegando a complexidade e a dimensão nacional do esquema investigado.

Ao longo de 2025, a comissão realizou 28 reuniões, ouviu 26 testemunhas — incluindo os ex-ministros Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni —, analisou cerca de 4.800 documentos e identificou ao menos 108 empresas suspeitas. Entre as medidas em estudo, está o pedido ao STF para suspender quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado considerados irregulares.

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