Após ficar em primeiro na eleição para prefeito do Rio de Janeiro no primeiro turno, com cerca de 27,5% dos votos, o candidato do PRB ao cargo, Marcelo Crivella, reafirmou que não quer o apoio do PMDB "do Rio de Janeiro": "Nesse momento, com os quadros do PMDB no Rio, acho que não (vou conversar com o partido)", disse, em entrevista coletiva concedida na noite deste domingo (2), em um hotel na Barra da Tijuca (zona oeste).<p><p>Desde o início da campanha, Crivella criticou o PMDB do atual prefeito, Eduardo Paes, e do candidato Pedro Paulo, que ficou em terceiro lugar com 16% dos votos. O candidato do PRB vai enfrentar Marcelo Freixo, do PSOL, que conquistou a vaga para o segundo turno com 18,4% dos votos.<p><p>"O PMDB mostrou que precisa reciclar, que não é possível continuar com essas práticas políticas. E isso não sou eu quem digo, são os eleitores. As pessoas estavam desalentadas com as atitudes do prefeito e os sucessivos escândalos do partido. O PMDB deixar de ir para o segundo turno é uma coisa redentora, algo extraordinária, que não se esperava", afirmou.<p><p>"Não conversei (com o PMDB) nem tenho a intenção, mas vou conversar com todas as outras forças políticas. Quero conversar com todas as forças que pensam como eu", disse Crivella. Em seguida, o candidato redirecionou as críticas: "Me referia a segmentos do PMDB, não é o partido como um todo. Paulo Duque, por exemplo, é do PMDB e votou em mim". Questionado novamente pela imprensa, ele reiterou: "Se os eleitores de Pedro Paulo quiserem apoiar nosso projeto, serão muito bem recebidos. Eu não rejeito voto de nenhum eleitor. Agora, não farei acordos sobre cargos ou posições no governo". <p><p>Crivella também voltou a repetir que a Igreja Universal do Reino de Deus, que ele integra, não vai interferir em seu governo. "Quero fazer mais uma vez uma declaração categórica: não haverá nenhuma influência de minha igreja e nem de qualquer outra. Vou repetir três vezes: o Estado é laico, o Estado é laico, o Estado é laico. Se eu digo uma vez, parece que não entendem, então repito três".<p><p>Crivella afirmou que o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) não vai participar de sua campanha no segundo turno: "Garotinho foi governador, está em Campos, tem outras prioridades, não tem sentido nenhum ele participar".<p><p>O candidato do PRB relevou o índice de rejeição que tem. "Minha rejeição é porque 99% dos eleitores me conhecem. Quanto mais gente nos conhece, maior o índice de rejeição. E minha rejeição é de quem nunca conversou comigo, não sabe como eu sou. É diferente da rejeição do Pedro Paulo, que tinha outras causas, era a rejeição ao PMDB. Tenho certeza que vamos superar isso".<p><p>Sobre o adversário no segundo turno, Crivella comemorou a vantagem de quase dez pontos sobre Freixo no primeiro turno e previu uma campanha "de alto nível". "O debate com Freixo será completamente diferente. Nós conversamos muito no primeiro turno, tínhamos uma mesma visão, de que era importante o PMDB não estar no segundo turno", afirmou.<p><p>Crivella afirmou que nesta segunda-feira (3) terá reuniões durante o dia e depois viajará para Brasília, onde vai reassumir a vaga de senador, da qual esteve licenciado por quatro meses para fazer campanha no Rio. Questionado sobre com quem serão as reuniões, ele brincou, citando uma música: "Nem as paredes confessam". <br /><br /><b>Fonte: </b>Estadao Conteudo