O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta quinta-feira (12) que a comissão recebeu os dados telemáticos sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, solicitados no âmbito da investigação de irregularidades em operações do Banco Master.
Viana explicou que os dados, que incluem ligações e mensagens de WhatsApp, são volumosos a ponto de a equipe técnica ter levado sete horas para baixá-los. Os arquivos ficarão armazenados em uma sala-cofre com medidas rigorosas de segurança, equipada com sete computadores para consulta pelos parlamentares ou assessores indicados.
O acesso à sala será permitido a partir desta sexta-feira (13), das 9h às 21h de segunda a sexta-feira e das 9h às 17h aos sábados. Os membros da CPMI, incluindo suplentes, e até um assessor por parlamentar poderão entrar sem equipamentos eletrônicos, passando por detector de metais, sob monitoramento de câmeras e registrando data, hora e motivo no livro de acesso, para evitar vazamentos.
Diversos parlamentares lamentaram a ausência de todos os depoentes previstos para a sessão desta quinta-feira. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou a importância dos documentos recebidos, sugerindo um mutirão de senadores, deputados e técnicos para análise aprofundada. “O retorno dos documentos é muito importante. A análise e o cruzamento dos dados são as nossas armas”, registrou a senadora.
O senador Sergio Moro (União-PR) classificou como assustador o volume bilionário de dinheiro envolvido nas transações ligadas a Vorcaro e ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Ele mencionou possíveis grampos ilegais e violência usados por Vorcaro contra adversários e lembrou que o STF inicia nesta sexta-feira (13) o julgamento da manutenção da prisão preventiva do banqueiro. “Espero que o STF mantenha a prisão preventiva, sob pena de colocar em risco os trabalhos desta comissão”, afirmou Moro.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) expressou preocupação com o possível encerramento da CPMI, que tem prazo até o dia 28 para concluir os trabalhos, e defendeu a prorrogação da comissão, sugerindo nova legislação para fortalecer as CPIs como instrumentos de fiscalização.
Viana reiterou a cobrança pela prorrogação dos trabalhos por pelo menos 120 dias, anunciando que protocolou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para garantir o recebimento do requerimento, conforme a Constituição, permitindo que a comissão investigue a fraude bilionária que atingiu aposentados e pensionistas de todo o Brasil.