O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta terça-feira (3) o adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o dia 19 de fevereiro, após o Carnaval. O reagendamento ocorreu a pedido dos advogados do investigado, que alegaram motivos de saúde.
Vorcaro, que está em prisão domiciliar, é investigado pela Polícia Federal por fraudes no Banco Master. O senador alertou que, caso o depoente não compareça voluntariamente, ele poderá ser conduzido coercitivamente a Brasília, sob custódia da Polícia Federal. Viana destacou que o banqueiro terá de explicar os 250 mil contratos de empréstimos consignados em carteira do banco, suspensos pelo INSS por falta de comprovação de documentação que garanta a anuência dos aposentados. Todos os direitos constitucionais, como não autoincriminação e acompanhamento por advogado, serão garantidos.
O depoimento do ex-presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, permanece mantido para esta quinta-feira (5), às 9h. Ele deverá esclarecer as medidas adotadas durante sua gestão, a efetividade dos controles internos e responsabilidades administrativas.
Viana lamentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter o habeas corpus que impede o depoimento do empresário Maurício Camisotti, do grupo Total Health. Camisotti é apontado como sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que arrecadou R$ 178 milhões entre 2019 e 2024 por descontos indevidos na folha de aposentados e pensionistas. A Controladoria-Geral da União verificou que muitos filiados nem sabiam de sua associação.
O senador também informou que o ministro Dias Toffoli, do STF, concordou com a devolução de material apurado pela comissão, mas apenas após as investigações da Polícia Federal. Além disso, Viana se reunirá na próxima semana com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias.