A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado deve incluir o Caso Master na investigação. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse ao Estadão que prepara a apresentação de requerimentos para quebrar os sigilos de empresas e pessoas ligadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia é se antecipar à criação da CPI do Banco Master, que tem assinaturas mínimas coletadas mas depende de autorização do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Ainda não há indicativos se Alcolumbre dará aval para a abertura da CPI.
No foco do relator da comissão que investiga o crime organizado estão os resorts que tiveram a participação de dois irmãos do ministro do STF Dias Toffoli, relator do processo sigiloso do Banco Master no Supremo, e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.
“Esse é um ponto que só o Senado tem capacidade de enfrentar. Em todas as outras frentes, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República podem avançar”, disse o senador à reportagem, ao falar da possibilidade de solicitar a quebra de sigilos e, no futuro, convocar pessoas para depoimentos.
O parlamentar prepara a apresentação de requerimentos na semana que vem, quando o Congresso retoma os trabalhos. As empresas e pessoas diretamente ligadas aos resorts e aos escritórios devem ser alvo dos primeiros pedidos de quebra de sigilo.
A CPI do Crime Organizado foi criada em novembro do ano passado no Senado para investigar tópicos relacionados ao crime organizado, como ocupação de território, lavagem de dinheiro, corrupção e sistema prisional. Para o relator, há conexões que justifiquem a inclusão do Banco Master no escopo da investigação.
Conforme o Estadão revelou, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, é dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação milionária dos irmãos de Toffoli — o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli e o padre José Carlos Dias Toffoli – no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná.
A cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, negou que o marido fosse sócio da empresa que chegou a ter um terço de participação no empreendimento de luxo.
O Estadão também revelou que os irmãos do magistrado foram sócios de um segundo resort da rede Tayayá, em uma região que fica às margens do Rio Paraná.
“É possível utilizar as CPIs que já estão em andamento, tanto a do Crime Organizado quando a CPI do INSS, porque as duas têm conexões que permitem ter essa utilização – e já temos duas CPIs sobre o Caso Master com a quantidade mínima de assinaturas atingida. Então, certamente teremos avanço”, disse o senador.
Para Alessandro Vieira, não há informações transparentes que justifiquem o processo do Banco Master nas mãos de Toffoli. A intenção dele é, inicialmente, apresentar requerimentos voltados às empresas e pessoas diretamente ligadas ao resort, e não ao ministro Dias Toffoli diretamente.
Outro foco do CPI deve ser o contrato do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes com o banco de Daniel Vorcaro, conforme revelado pelo jornal O Globo, que totalizaria R$ 129 milhões se fosse cumprido integralmente.
Estadão Conteúdo