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Política & Poder

CPI do transporte público do DF mira na atual gestão

Arquivo Geral

18/03/2016 6h30

Millena Lopes

millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a licitação de transporte público do DF  ganha fôlego, com  novos depoimentos de envolvidos nas denúncias de irregularidades e com a oitiva do atual secretário de Mobilidade, Marcos Dantas . Ele deve ir à Câmara Legislativa para dar explicações sobre ações tomadas pelo governo na atual gestão. Os demais voltam para dar informações complementares sobre as suspeitas.

O prazo para encerramento dos trabalhos da comissão se encerra em 25 de abril, mas não deve ser prorrogado, conforme o presidente do colegiado, deputado distrital Bispo Renato (PR). “Poderíamos prorrogar, mas não vamos. Nós temos pressa”, diz ele.

Ontem, foram ouvidos o ex-diretor do DFTrans Jair Tedeschi e  o  ex-secretário de Transporte José Walter Vazques. Para as próximas semanas,  tem agendados novos depoimentos do ex-presidente da comissão de licitação, Galeno  Monte; do advogado Sacha Reck; e o representante   dos operadores das empresas que operam o transporte público do DF, Maurício José Gondim Borges Moreira.

Recomendações 

Já Marcos Dantas, conforme o deputado,  deve ser ouvido na semana seguinte à Páscoa. “Alguma coisa estranha aconteceu no passado, mas continua acontecendo agora também no atual governo em relação ao transporte público do DF”, ponderou o presidente da CPI.

Bispo Renato contabiliza oito recomendações enviadas à  Secretaria de Mobilidade e diretamente ao governador Rodrigo Rollemberg, para que tomassem providências com relação às irregularidades identificadas.   

Dantas diz que  atenderá à convocação dos deputados e explica que já respondeu aos questionamentos do colegiado. “Não tinha necessidade de convocação. Eu poderia ter sido convidado e iria, como já fui outra vez”, afirmou. Reiterando que não tem nada a esconder, ele argumenta que  “quanto mais luz se colocar nesse problema, melhor para todos”.

Comissão depura sigilos de envolvidos

Nos últimos dias, os técnicos que atuam  na CPI trabalham no cruzamento de dados encaminhados pela polícia, como os sigilos bancário e telefônico dos envolvidos. As informações e documentos apreendidos pela Polícia Civil, no fim do mês de janeiro, também são analisados pelo colegiado. “Estávamos esperando a denúncia do Ministério Público para reinquerir os depoentes”, explicou Bispo Renato.

Os trabalhos não ficaram  parados, garante o deputado. “A assessoria técnica esteve em contato constante com o Ministério Público. Estamos procurando fazer um trabalho casado com os demais órgãos”, explica.

Com a proximidade do encerramento dos trabalhos da CPI, ele   diz que a comissão está, agora, focada em colher mais provas “ que subsidiem o Ministério Público para que ofereça novas denúncias”. Bispo Renato torce para que o pleno do Tribunal de Justiça referende a decisão do juiz Lizandro Garcia Gomes Filho, da 1ª Vara de Fazenda Pública, de anular a licitação. 

Dados compartilhados

Os achados da comissão já foram encaminhados ao Tribunal de Justiça do DF e ao Ministério Público. E, nos próximos dias, devem ser enviadas novas informações. “Já compartilhamos documentos anteriores, mas o MP solicitou novamente. Como agora temos novos documentos, vamos encaminhar também”, explicou Renato.

A decisão do TJ de anular a licitação e a denúncia oferecida pelo Ministério Público de seis envolvidos nas irregularidades vão de encontro com a linha de investigação da comissão, conforme o deputado. “Nós já temos certeza absoluta de que novos nomes podem ser denunciados pelo MP”, aposta.

Saiba mais

O Tribunal de Justiça anulou a licitação, em janeiro, e deu prazo ao GDF para preparar novo certame. O Executivo já recorreu. 

A Justiça já transformou seis em réus:  Marco Antônio Gulin e Délfio José Glin,  da Viação Marechal; o advogado Sacha Reck; o ex-secretário  José Walter Vazquez;   o ex-coordenador de projetos da licitação José Augusto Pinto Júnior; e  o ex-presidente da comissão de licitação, Galeno Furtado Monte.

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