A CPI do Crime Organizado do Senado Federal volta a se reunir nesta quarta-feira (25) para votar uma série de requerimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Entre os pedidos em pauta, destaca-se a convocação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e convites ao ministro Alexandre de Moraes e à sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
O requerimento de convocação de Toffoli foi apresentado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Carlos Portinho (PL-RJ) e Eduardo Girão (Novo-CE). Os autores justificam a medida com base nos objetivos da comissão de investigar novas formas de atuação de organizações criminosas, incluindo mecanismos de lavagem de dinheiro. Eles citam a participação de Toffoli em uma sociedade que vendeu participação no Resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados ao Banco Master, além de reportagens sobre jogos de azar no local, como apostas em cartas com dealers.
Relatórios da Polícia Federal mencionam citações a Toffoli em conversas entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e seu cunhado Fabiano Zettel, relacionadas ao resort. Toffoli, que era relator de inquérito no STF sobre fraudes no Master, deixou o cargo na quinta-feira (12).
Quanto a Alexandre de Moraes, o convite é justificado por contatos do ministro com o presidente do Banco Central em assuntos de interesse do banco, instituição com a qual sua esposa mantinha contrato advocatício de alto valor, envolvendo órgãos públicos. O requerimento é do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
A pauta inclui ainda convocações de ex-dirigentes e sócios do Banco Master, como o ex-CEO Augusto Ferreira Lima, o superintendente Alberto Félix de Oliveira Neto, o controlador Daniel Vorcaro, o ex-diretor Luiz Antônio Bull e o sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva. Esses pedidos visam esclarecer conexões com a Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do PCC por meio de estruturas ligadas a Vorcaro, incluindo investimentos no Clube Atlético-MG.
Outros requerimentos envolvem o Resort Tayayá, com convocações do advogado Paulo Humberto Barbosa e de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, para investigar transações com os donos do banco e familiares do ministro. Há pedidos de convites a autoridades como o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e o ex-ministro Guido Mantega, contratado para o conselho do banco em 2026.
Além das convocações, a CPI votará pedidos de informações, como relatórios do Coaf, sigilos do banco de 2022 a 2026, registros de entrada de Augusto Ferreira Lima no Senado e dados da Anac sobre ativos aeronáuticos de Vorcaro e empresas ligadas.
A reunião também prevê convites a autoridades de segurança e Ministério Público, incluindo o comandante do Exército Tomás Miguel Ribeiro Paiva e o procurador-geral do MP do Acre Danilo Lovisaro do Nascimento. Por fim, está programada a oitiva do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, indiciado por crimes ligados ao Comando Vermelho, para discutir infiltração do crime organizado no poder público.