Menu
Política & Poder

CPI do Crime vota convocação de Dias Toffoli e convite a Moraes e mulher

A comissão se reúne nesta quarta-feira para deliberar sobre requerimentos relacionados a fraudes no Banco Master e conexões com crime organizado.

Redação Jornal de Brasília

13/02/2026 12h39

cpi crime

O senador Fabiano Contarato é presidente e o senador Alessandro Vieira, relator da CPI Carlos Moura/Agência Senado

A CPI do Crime Organizado do Senado Federal volta a se reunir nesta quarta-feira (25) para votar uma série de requerimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Entre os pedidos em pauta, destaca-se a convocação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e convites ao ministro Alexandre de Moraes e à sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

O requerimento de convocação de Toffoli foi apresentado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Carlos Portinho (PL-RJ) e Eduardo Girão (Novo-CE). Os autores justificam a medida com base nos objetivos da comissão de investigar novas formas de atuação de organizações criminosas, incluindo mecanismos de lavagem de dinheiro. Eles citam a participação de Toffoli em uma sociedade que vendeu participação no Resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados ao Banco Master, além de reportagens sobre jogos de azar no local, como apostas em cartas com dealers.

Relatórios da Polícia Federal mencionam citações a Toffoli em conversas entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e seu cunhado Fabiano Zettel, relacionadas ao resort. Toffoli, que era relator de inquérito no STF sobre fraudes no Master, deixou o cargo na quinta-feira (12).

Quanto a Alexandre de Moraes, o convite é justificado por contatos do ministro com o presidente do Banco Central em assuntos de interesse do banco, instituição com a qual sua esposa mantinha contrato advocatício de alto valor, envolvendo órgãos públicos. O requerimento é do senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A pauta inclui ainda convocações de ex-dirigentes e sócios do Banco Master, como o ex-CEO Augusto Ferreira Lima, o superintendente Alberto Félix de Oliveira Neto, o controlador Daniel Vorcaro, o ex-diretor Luiz Antônio Bull e o sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva. Esses pedidos visam esclarecer conexões com a Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do PCC por meio de estruturas ligadas a Vorcaro, incluindo investimentos no Clube Atlético-MG.

Outros requerimentos envolvem o Resort Tayayá, com convocações do advogado Paulo Humberto Barbosa e de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, para investigar transações com os donos do banco e familiares do ministro. Há pedidos de convites a autoridades como o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e o ex-ministro Guido Mantega, contratado para o conselho do banco em 2026.

Além das convocações, a CPI votará pedidos de informações, como relatórios do Coaf, sigilos do banco de 2022 a 2026, registros de entrada de Augusto Ferreira Lima no Senado e dados da Anac sobre ativos aeronáuticos de Vorcaro e empresas ligadas.

A reunião também prevê convites a autoridades de segurança e Ministério Público, incluindo o comandante do Exército Tomás Miguel Ribeiro Paiva e o procurador-geral do MP do Acre Danilo Lovisaro do Nascimento. Por fim, está programada a oitiva do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, indiciado por crimes ligados ao Comando Vermelho, para discutir infiltração do crime organizado no poder público.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado