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Política & Poder

CPI da Codeplan: relatório aprovado sob ameaças

Arquivo Geral

26/08/2010 8h19

Isabel Paz

isabel.paz@jornaldebrasilia.com.br

 

Pelo menos três deputados que integram a CPI da Codeplan aprovaram ontem, a contragosto, o relatório que pediu o indiciamento de 22 suspeitos de participação no esquema de desvio de dinheiro público, desvendado pela Operação Caixa de Pandora. Mas só foi possível chegar a unanimidade de 4 x 0 depois de muita pressão.

 

Os seis meses de investigação sobre o maior escândalo de corrupção da história de Brasília esteve perto de ser arquivado. Não bastassem as confusões no decorrer do processo – como as constantes trocas de integrantes, o não encaminhamento de documentação e a tentativa de blindar os citados no esquema –, ontem havia muita resistência para o texto passar. “Eles não queriam aprovar”, assegurou uma fonte ao Jornal de Brasília.

 

Em sessão extraordinária, convocada exclusivamente para a apresentação e votação do relatório final, apenas quatro deputados estiveram presentes. O quinto, Batista das Cooperativas (PRP), sequer compareceu à reunião – foi visto nas regiões de Samambaia e Santa Maria fazendo campanha à reeleição. Exceto pelo relator, Paulo Tadeu (PT), os demais faziam ressalvas para tentar não dar prosseguimento ao relatório.

 

“Precisamos fazer alguns ajustes”, dizia o deputado Cristiano Araújo (PTB). Segundo fontes, o parlamentar estava com receio de que as investigações pudessem, de alguma forma, chegar até as empresas da família dele, que têm contrato com o GDF. “Não é porque eu era contra (a aprovação), mas por não conhecer o que iria votar”, justificou-se.

 

Já Raimundo Ribeiro (PSDB), primeiro relator da CPI e ex-secretário de Justiça no governo Arruda, teria se posicionado a favor da rejeição por não concordar com algumas citações. “Tinha algumas imperfeições de forma e outras de conteúdo”, saiu-se. “Não posso dar motivos para interpretações erradas”. O presidente da CPI, deputado Aguinaldo de Jesus (PRB), seguiu os colegas contrários à aprovação. E somente depois de diversos telefonemas e conversas reservadas, votou com o relator.

 

Nos bastidores, muito desgaste. Provocado pelos distritais da antiga base aliada de Arruda, que sinalizava não votar pela aprovação do texto, o petista pressionou: ou aprovariam o relatório ou, uma vez aberta, a CPI iria ampliar o objeto de investigação, considerando, inclusive, as recentes denúncias que implicam outros distritais. Aí, então, todos cederam. “Mudamos a terminologia, mas não alteramos o conteúdo”, explicou Paulo Tadeu.

 

Leia mais na edição desta quinta-feira (26) do Jornal de Brasília.

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