O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino votou nesta sexta-feira (25) pela manutenção de Paulo Gonet à frente das investigações relacionadas ao caso Master e contra a abertura de uma investigação interna sobre a atuação do procurador-geral. O procedimento no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) foi aberto após mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mencionarem Gonet.
Sanseverino argumentou que eventual impedimento ou suspeição de Gonet nos processos relacionados ao Banco Master deve ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e não pelo Conselho Superior do MPF.
O relator também se posicionou contra a abertura de investigação interna. Segundo ele, não foram identificadas conversas diretamente entre Gonet e Vorcaro. As mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam para contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, que mantinha relação com o ex-banqueiro.
Sanseverino afirmou que as mensagens não devem ser analisadas de forma isolada ou descontextualizada e que a abertura de investigação criminal exige elementos mínimos sobre a materialidade e a autoria dos fatos.
Na análise do celular de Vorcaro, segundo o relator, não foi localizado um contato salvo em nome de Paulo Gonet. Também não foram encontradas conversas diretas entre os dois. As referências ao procurador-geral aparecem principalmente em diálogos entre Vorcaro e Ciro Soares. Relatório da PF também registrou limitações quanto à confirmação de que Gonet tenha participado das ligações feitas a partir do telefone de Ciro.
O procedimento foi aberto após representação apresentada por deputados do partido Novo, que pediram o afastamento de Gonet das investigações relacionadas ao Banco Master e a designação de outro subprocurador-geral para atuar nos casos. O Conselho Superior marcou a análise do procedimento para 25 de setembro.
Gonet negou ter relação de amizade com Vorcaro e afirmou, em manifestação encaminhada ao Conselho, não ter interesse pessoal nos processos envolvendo o ex-banqueiro. O procurador-geral também reconheceu ter encontrado Vorcaro em um evento em Londres, em 2024, mas classificou o encontro como breve e sem relevância pessoal.
A fotografia dos dois no evento, divulgada posteriormente, aumentou a repercussão do caso dentro do Ministério Público Federal. A PGR confirmou a autenticidade da imagem e afirmou que Gonet já havia reconhecido publicamente sua participação no evento.
O procedimento analisado pelo Conselho não constitui, por si só, um processo administrativo disciplinar contra Gonet. A discussão envolve a existência de elementos que possam justificar medidas relacionadas à sua atuação nos procedimentos do caso Master.
A sessão é presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino, já que Gonet é diretamente interessado no procedimento. Após o voto do relator, os demais conselheiros devem se manifestar conforme a ordem prevista no regimento do colegiado.