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Política & Poder

Conselheiro de Trump próximo a Eduardo Bolsonaro deve vir ao Brasil de olho nas eleições

Aliados do bolsonarismo nos Estados Unidos, têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro

Redação Jornal de Brasília

09/03/2026 15h56

assessor trump

Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons

ISABELLA MENON
FOLHAPRESS

O conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, Darren Beattie, deve viajar ao país na próxima semana para uma agenda que inclui reunião com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e compromissos voltados a acompanhar temas ligados ao processo eleitoral brasileiro.

A informação foi confirmada por fontes ligadas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Crítico do governo Lula e do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Beattie pretende entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Esta será a primeira viagem dele ao Brasil como conselheiro do governo de Donald Trump.

O americano mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro e com o influenciador Paulo Figueiredo.

Aliados do bolsonarismo nos Estados Unidos, têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro. A mobilização ocorre após o governo Trump recuar da aplicação de sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky.

Beattie também vai tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre “fake news” e milícias digitais conduzidos pelo STF. Ele ainda deve ter uma ampla agenda com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a partir de junho será comandado por indicados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o ministro Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice.

A confirmação do americano ao posto de Conselheiro Sênior de Política para o Brasil aconteceu no fim de fevereiro. O conselheiro americano já chamou Moraes de “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição contra o (ex-presidente brasileiro Jair) Bolsonaro”. Após a imposição de sanções da Lei Magnitsky sobre Moraes, Eduardo Bolsonaro agradeceu a Beattie por seus esforços em uma publicação no X. O americano também é secretário assistente interino para assuntos culturais no departamento.

Darren deve passar por Brasília e São Paulo. Na capital paulista, vai participar de um evento sobre minerais críticos. O governo americano vem negociando acordos de fornecimento preferencial desse tipo de recurso com diversos países.

O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, tem resistido a acordos de exclusividade e busca contrapartidas em investimentos para o processamento local dos minérios -o Departamento do Estado já afirmou que os EUA têm interesse no processamentos das matérias-primas.

Outro assunto que deve permear a primeira viagem de Beattie ao Brasil é o crime organizado. Como uma reportagem do UOL mostrou, os Estados Unidos devem declarar as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas nos próximos dias, decisão que contraria os esforços do governo brasileiro.

O governo Lula entregou uma proposta de combate ao crime organizado no fim do ano passado para o Departamento do Estado, porém, segundo fontes próximas ao Departamento do Estado, a pasta considerou a proposta inadequada por, entre outros motivos, não conter a declaração de facções como grupos terroristas.

Em fevereiro do ano passado, o governo americano designou facções do narcotráfico como a venezuelana Tren de Aragua e a mexicana Cartel de Sinaloa como “organizações terroristas estrangeiras”.

Depois da designação, o governo Trump começou a atacar embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, afirmando que as tripulações eram compostas de “narcoterroristas”.

Lula tenta planejar uma visita a Trump, em Washington -o próprio presidente brasileiro já havia anunciado essa intenção para meados de março. Porém, como uma reportagem da Folha de S. Paulo mostrou, com o início da guerra no Irã, o encontro pode ser adiado para abril. Lula já sinalizou que deve usar a reunião com o republicano para debater questões de segurança.

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