Eduardo Brito
edubrito@jornaldebrasilia.com.br
Os membros da comissão especial do impeachment foram recepcionados na manhã de ontem com flores por um grupo auto-intitulado Comitê Pró-Democracia. É formado principalmente por servidores e assessores parlamentares de deputados e senadores petistas, além de representantes de ONGs. As flores, porém, não escondem a combatividade do grupo, que se manifestou ruidosamente durante toda a sessão da comissão.
O grupo é o mesmo que entrou em conflito na segunda-feira com os parlamentares e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quando a entidade protocolou novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Conflito físico mesmo.
Os membros do Comitê tentam impedir os que consideram adversários de circular e mesmo de cumprir trabalhos funcionais, como protocolar documentos.
Os manifestantes levaram cartazes contra o pedido de impeachment de Dilma e protestaram contra todas as iniciativas que desaprovavam, inclusive falas dos integrantes da comissão.
Embora esse tipo de postura viole todas as normas funcionais do Congresso, os servidores não correm o risco de ser punidos, uma vez que a chefia imediata – dos próprios gabinetes dos deputados e senadores governistas, além das lideranças partidárias, em especial do PT e do PCdoB – são coniventes com as manifestações.
O chamado servidor-ativista não constitui uma novidade no Congresso. Desde a legislatura passada, existem funcionários, sempre de cargos comissionados, que circulam pelos corredores declarando-se “blogueiros”.
Saiba mais
Os ativistas que operam como blogueiros usam celulares como gravadores, e forçam situações incômodas para oposicionistas. Fingem ser entrevista e, então, os provocam. Tudo gravado.
O caso mais rumoroso foi um servidor do gabinete da deputada brasiliense Érika Kokay que quase foi às vias de fato com o senador Aloysio Nunes Ferreira.