Centenas de manifestantes contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff estão em frente ao Congresso Nacional na noite desta segunda (11) para protestar contra o processo em andamento na Câmara dos Deputados. Liderados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os manifestantes estão concentrados do lado esquerdo da Esplanada, ao lado da rodoviária. O grupo que estava acampado de forma irregular em frente ao teatro entrou em acordo com a Secretaria de Segurança e passará a montar barracas no estacionamento entre o Estádio Nacional e o Ginásio Nilson Nelson.
O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi deslocado até o Congresso Nacional. “É uma ação preventiva. Vamos permanecer por aqui”, disse o capitão Eiras, responsável pela operação que reúne 35 agentes.
Ambulantes também já chegaram ao local, alguns deles para vender itens como bonecos infláveis, material que está proibido de ser usado pelos manifestantes entre os dias 15 e 17, quando o processo de impeachment da presidente deverá ser votado pelo plenário da Câmara.
A Secretaria de Segurança do Distrito Federal reservou o entorno do estádio Mané Garrincha para receber os ônibus de manifestantes favoráveis ao governo. Do outro lado, no Parque da Cidade, ficarão os ônibus dos que pedem a saída de Dilma Rousseff. No domingo, o Movimento Vem Pra Rua havia fincado placas na Esplanada com o rosto de cada parlamentar e sua posição em relação ao impeachment. Nesta segunda-feira, 11, as placas foram removidas.
Protestos serão diários
Conforme a aproximação da votação, a ideia é esquentar o clima com protestos diários. Manifestantes de outros estados defensores do afastamento e da permanência da gestão do PT começaram a desembarcar no Distrito Federal desde o fim de semana.
A Comissão Especial da Câmara votará hoje o relatório pelo afastamento ou continuidade do governo petista. Caso o processo seja aprovado, a questão será levada para o plenário da Casa na sexta-feira e a votação será concluída no domingo ou na próxima segunda-feira, 18 de abril. De olho nesta agenda, líderes de movimentos populares estão definindo um roteiro de manifestações para fazer a capital entrar em ebulição. O Governo do DF estima que no ápice dos atos chegarão a 500 mil manifestantes.

O que vai poder
1 Para evitar incitações à violência, o governo permitiu apenas dois carros de som para cada lado de manifestantes. Sendo que os veículos próximos ao Congresso poderão apenas informar a multidão. Bonecos ofensivos também serão proibidos.
2 O GDF escalou três mil policiais militares, 500 bombeiros para a Esplanada a partir de sexta-feira. Esse mesmo quantitativo poderá ser aumentado rapidamente em caso de necessidade.
3 O GDF negocia para ter ajuda da Força Nacional.
Protesto dos dois lados
Filiados do PT e simpatizantes do governo de Dilma fizeram ontem um pequeno protesto em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). No outro lado, o movimento Vem Pra Rua organizou uma manifestação infantil pró-impeachment e colocou placas com um placar parcial da votação em frente ao Congresso.
“Vamos mostrar que ninguém aceita o golpe. Além das manifestações oficiais deverão haver atos isolados de alguns grupos durante esses dias”, contou Roberto Policarpo.
Entre os grupos apoiadores do Planalto estão MST, UNE, UBES, CUT, CTB e o movimento dos sem teto.
Pelas contas do placar do Vem Pra Rua, atualmente, 286 deputados deverão votar a favor do afastamento. O número de parlamentares contrários seria de 115. O total de indecisos alcança 112. Para o impedimento de Dilma são necessários 342 votos.
“Fizemos a primeira manifestação infantil pelo impeachment. Queremos que as crianças entendam a realidade de tudo que ouvem em suas casas. E no fundo, tudo que estamos fazendo é para que elas tenham um país muito melhor”, ponderou um líderes do movimento, Jailton Almeida.
Acampamentos já estão montados
Para evitar conflitos, o GDF proibiu a montagem de acampamentos nos arredores do Congresso. Grupos pró-impeachment foram encaminhados para o Parque da Cidade, próximo ao Parque Ana Lídia. Já integrantes do MST e demais simpatizantes do PT devem montar as barracas nos estacionamentos do Estádio Nacional Mané Garrincha e do Ginásio Nilson Nelson. No entanto, na noite de ontem tinha barracas do movimento montadas no gramado do Teatro Nacional, ao lado dos ministérios.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social, no local não é permitida a montagem do acampamento e ainda ontem seria traçada a estratégia de remoção com um acordo com os manifestantes. Nenhum membro do MST quis se pronunciar.
Novos ônibus com integrantes do movimento a favor da presidente deverão chegar no DF durante a semana. Entre quarta e quinta-feira, os sem-terra farão manifestações pelo Abril Vermelho, para lembrar a luta do campo. Os atos deverão também defender a permanência de Dilma no poder.
Os manifestantes pró-impeachment também aguardam a vinda de novos participantes para o acampamento no Parque da Cidade até a votação do plenário da Câmara. “Estamos aguardando mais ônibus. Chegou a hora de dar um basta. Não adianta mais ficar no Facebook”, argumentou, a professora Sandra Cristina, vinda do Rio de Janeiro e acampada no DF desde novembro passado. Na terça-feira, os manifestante planejam um ato em protesto à nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil.
O acampamento é formado por várias frentes. Uns defendem, além do impeachment, a intervenção militar, por acreditarem que a política está totalmente comprometida pela corrupção.
Um ponto em comum, é que todos apoiam o juiz Sérgio Moro na condução da operação Lava Jato. Segundo a professora, o grupo não possui vínculos com partidos políticos e recebe doações espontâneas de empresários.
Saiba mais
Hoje a Executiva Nacional do PSB deverá se reunir para definir oficialmente se permanece ou não na base de apoio do Palácio do Planalto.
O partido do governador Rodrigo Rollemberg deve deixar o grupo de sustentação de Dilma e partir para o defesa do afastamento da petista.
O presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, já se manifestou pelo rompimento. O movimento colocará Rollemberg em uma “saia justa” política.
Um muro e os dois lados
Um grupo de presidiários foi escalado para erguer o muro de ferro que, até o próximo fim de semana, vai dividir a Esplanada dos Ministérios pelo meio. Paralelamente ao muro, os detentos montaram uma segunda barricada, com alambrados. No corredor entre as duas estruturas, policiais deverão circular dos dois lados do muro que divide o País, acompanhando a movimentação da população.
Já usado pelo governo no dia 7 de setembro de 2015 para aplacar as manifestações contrárias à presidente Dilma Rousseff, o muro de ferro volta agora a ser erguido para tentar evitar o confronto direto dos manifestantes. Seu histórico não é favorável. No aniversário da Independência do Brasil, a estrutura de latão fez as vezes das panelas, transformado em instrumento de manifestação e revolta nas mãos de quem defende a saída da presidente. No fim da festa, manifestantes derrubaram boa parte dela aos chutes.
Desta vez, a segregação política estabeleceu que do lado direito da Esplanada ficarão os manifestantes que pedem o impeachment de Dilma, sendo o ponto de concentração será Museu da República. Do lado esquerdo, estarão aqueles que defendem a continuidade de seu governo. O ponto de encontro será a Teatro Nacional. O “muro do impeachment” só deverá ser desmontado no fim da votação.
Trânsito
O trânsito também terá modificações. A partir da 0 hora de quinta-feira o trânsito será bloqueado no Eixo Monumental, indo do balão da Rodoviária e até o balão do Presidente. Segundo o GDF, o estacionamento de veículos poderá ser feito nos anexos dos ministérios, sendo que os manifestantes pró-impeachment deverão buscar o lado direito da Esplanada, e aqueles contrários o esquerdo.
Toda área envolvendo a Praça dos Três Poderes, o Congresso, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e o Ministério da Justiça como zona de segurança nacional, será restrita para o trânsito das Forças de Segurança.