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Política & Poder

Com bate-bocas, saída de Kassio e críticas a Fachin, saiba o que aconteceu até agora na sessão do STF

Já nos primeiros minutos, Flávio Dino interrompeu a fala de um colega e foi repreendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin

Redação Jornal de Brasília

15/09/2026 14h20

Foto: Antonio Augusto/STF

Foto: Antonio Augusto/STF

ANNA JÚLIA LOPES, LUÍSA MARTINS, RAQUEL LOPES E MARCELO AZEVEDO
FOLHAPRESS


Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) trocaram farpas na sessão desta terça-feira (15) que discute se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado.

Já nos primeiros minutos, Flávio Dino interrompeu a fala de um colega e foi repreendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Pouco depois, Moraes atacou diretamente André Mendonça, que reagiu ais gritos, e o decano Gilmar Mendes protagonizou dois embates distintos, um com Luiz Fux e outro com o próprio Mendonça.

Além disso, o ministro Kassio Nunes Marques deixou o plenário após se declarar suspeito, e Dino chegou a acusar Fachin de abrir caminho para a “tirania” nos tribunais ao trocar a relatoria do caso.

Veja abaixo o que aconteceu na primeira parte da sessão.

SUSPEIÇÕES ESVAZIAM ALA PRÓXIMA A MENDONÇA

Logo no início da sessão, o ministro Kassio Nunes Marques anunciou que não votaria, alegando necessidade de preservar o equilíbrio do processo eleitoral por presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ele negou qualquer ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e afirmou nunca ter julgado processos relacionados ao banco nem conversado com o empresário. Em seguida, declarou-se formalmente suspeito e deixou o plenário -decisão tomada após a revelação de diálogos que mencionavam pagamentos de Vorcaro a seu filho.

O ministro Dias Toffoli também confirmou que não vai votar, por suspeição de foro íntimo já declarada anteriormente, mas avisou que permanecerá no plenário e poderá se manifestar. Toffoli disse que o afastamento da relatoria do caso Master se deu para “preservar a corte”.

Com as duas saídas, a ala mais próxima de André Mendonça, relator do processo que apura a atuação de Moraes como suposto interlocutor de Vorcaro, perdeu dois votos que historicamente o acompanhavam.

DINO CONFRONTA FACHIN E FALA EM RISCO DE ‘TIRANIA’

O ministro Flávio Dino protagonizou o primeiro atrito direto da sessão ao interromper a fala de Toffoli para prestar solidariedade ao colega. Foi cobrado por Fachin, que pediu que os pedidos de palavra passassem pela presidência. Dino contestou a orientação, argumentando que a palavra deveria ser solicitada ao relator do caso.

O ministro também questionou a decisão de Fachin de retirar Mendonça da relatoria do processo que trata da relação entre Moraes e Vorcaro e assumir o caso para si.

“Em nenhum tribunal do país, nenhum, um presidente pode destituir um relator”, disse Dino, acrescentando que aceitar essa prática abriria “uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar”.

Fachin negou ter “avocado” a relatoria, e Mendonça saiu em defesa do presidente da Corte, afirmando que a decisão partiu da constatação de que as mensagens envolviam a prerrogativa do próprio tribunal.
Dino também classificou o momento atual como o mais grave da história do Judiciário brasileiro. “É o momento mais corrupto da história do poder Judiciário da história do Brasil, infelizmente, o que prova que há erros.”

Ele voltou a defender que os casos de Moraes e Mendonça sejam analisados em conjunto, proposta já rejeitada por Fachin, sob risco, segundo ele, de configurar “um dos maiores equívocos do Poder Judiciário”.

MORAES ENTRA ‘EM PÉ DE GUERRA’ E GILMAR TROCA FARPAS COM FUX E MENDONÇAS

Ao se manifestar pela primeira vez na sessão, Alexandre de Moraes adotou tom acusatório em relação a Mendonça, associando-o ao chamado golpismo bolsonarista e desafiando-o a confrontar testemunhas sobre suas intenções. Mendonça reagiu gritando “Isso é mentira”.

Pouco depois, o decano Gilmar Mendes discutiu com Luiz Fux sobre a presença de delegados da Polícia Federal em gabinetes de ministros, e chegou a afirmar haver uma “PF paralela, com monitoramento de ministros” dentro da corporação. Fux rebateu dizendo que a PF merece “o maior respeito” quando atua dentro de suas atribuições, mas defendeu que investigações sigam pelos canais institucionais.

Gilmar também acusou Mendonça de tratar com condescendência o ministro Nunes Marques nas apurações sobre o caso Master, dizendo que um relatório de inteligência da PF mostra “postura abertamente defensiva” do relator em relação ao colega.

O embate mais direto do período, porém, foi entre o próprio Gilmar e Mendonça: o decano afirmou que “até as pedras sabem que há um viés político eleitoral” nas decisões do colega. Mendonça pediu respeito e chamou Gilmar de “leviano”, ao que o decano respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.

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