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Política & Poder

Cogitado pelo PL em MG admite conversas com Flávio Bolsonaro, mas diz não forçar candidatura

Flávio Roscoe é avaliado pelo PL mineiro como alternativa à candidatura do senador Cleitinho Azevedo, que deve rivalizar com o senador Rodrigo Pacheco, provável candidato apoiado pelo presidente Lula

Redação Jornal de Brasília

16/03/2026 13h24

flávio roscoe

Flávio Roscoe. Foto: Reprodução

BRUNO RIBEIRO
FOLHAPRESS

Apontado como possível candidato do PL em Minas Gerais em um documento de Flávio Bolsonaro (PL) que acabou vazado, o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, reluta em se apresentar como pré-candidato ao governo, mas deixará a entidade no mês que vem, antes do fim de seu mandato, admitindo a possibilidade de disputar as eleições.

Em entrevista à reportagem, o empresário do setor têxtil diz que foi cortejado por diferentes partidos políticos, em especial o PL, confirma conversas com Flávio, mas afirma que ainda não decidiu se embarcará no pleito —afirmou não estar “forçando nada” nem “procurando fazer alianças políticas”.

Ele comanda a federação mineira há quase oito anos e já confirmou que sairá da Fiemg até abril, embora o mandato fosse até o fim do ano. Desde o fim 2024, admite publicamente a hipótese de uma candidatura em Minas.

“Meus amigos falam ‘você está doido’. O Governo de Minas Gerais é uma bomba”, afirmou Roscoe, condicionando a participação na campanha à construção de um projeto que o convença.

“Não tenho dificuldade nenhuma, nem de colocar, nem de retirar [a candidatura], porque não é projeto de poder. Estou indo com o espírito de sacrifício [pela população]. Se eu não for, melhor ainda. Todos que me cercam [no espaço] mais íntimo são contra”, disse. “Na hora que for definido e me derem a missão, vou avaliar se é compatível com o que preciso fazer.”

Roscoe é avaliado pelo PL mineiro como alternativa à candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que deve rivalizar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), provável candidato apoiado pelo presidente Lula (PT).

Apesar de citar conversas com Flávio Bolsonaro e com o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), o empresário nega ter trabalhado para se viabilizar politicamente. Disse que teria preferido ver candidato ao governo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que não quer concorrer ao Executivo.

No final de fevereiro, um documento com os nomes das chapas majoritárias do PL nos estados —governador, vice e senadores—, com anotações de Flávio, foi deixado em uma sala apó
s uma reunião da cúpula do partido em Brasília. Roscoe aparecia como nome do partido para Minas.

“Fiquei meio surpreso com o documento ter sido exposto. Pelas conversas [que mantém com o partido], eu já sabia que havia essa possibilidade”, disse o empresário. “O que está mais consolidado hoje seria justamente um projeto no PL, ou como cabeça de chapa, ou em eventual composição com alguém.”

Roscoe citou à reportagem sua atuação como representante das indústrias mineiras junto ao governo Romeu Zema (Novo) —marcada por momentos de discordância pública— para se apresentar como “vice ideal” ao governo. Contudo, esquivou-se de responder se seria vice de Cleitinho. “Olha, essas coisas, na verdade, quando você coloca o nome à disposição, não é você que vai determinar, é esse processo”, disse.

Roscoe não havia concedido entrevistas anteriormente na condição de possível pré-candidato. Na conversa com a reportagem, chegou a elogiar avanços do governo Lula no social, mas defendeu uma política de assistência que garantisse renda à população e, ao mesmo tempo, estimulasse a busca por trabalho.

Criticou tanto o julgamento dos condenados pelo 8 de Janeiro quanto a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse avaliar “negativamente” o STF (Supremo Tribunal Federal). “Tenho saudade do tempo em que ninguém sabia o nome dos ministros.”

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