O Conselho Nacional de Justiça realizou nesta quinta-feira (24) uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A medida, autorizada pelo corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, contou com o apoio da Polícia Federal. Trata-se de uma correição extraordinária, procedimento excepcional de fiscalização que tramita sob sigilo.
Investigações da PF apontam que Ramos aparece em mensagens recolhidas no telefone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As conversas o tratam como integrante da “Turma do KN”, menção a Kassio Nunes Marques, atual ministro do Supremo Tribunal Federal de quem Ramos foi juiz auxiliar de 2018 a 2020.
A apuração envolve contratos da esposa do magistrado, a advogada Camilla Ramos. O escritório dela firmou um acordo de R$ 427 milhões para representar o Banco Master em ações de precatórios bilionários ligados ao setor sucroalcooleiro.
Os agentes copiaram o disco rígido do computador do desembargador, que não estava presente no gabinete durante a ação e não foi afastado de suas funções no tribunal.
Em nota, o gabinete de Ramos declarou que a fiscalização buscou “levantar informações em processos que envolvem o setor sucroalcooleiro”. A equipe acrescentou que o magistrado “confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular” e segue à disposição para prestar esclarecimentos.