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Política & Poder

Clima quente marca debate entre candidatos à presidência da OAB-DF

Arquivo Geral

12/11/2015 7h00

O debate entre os candidatos à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), realizado ontem à noite no auditório Joaquim Nabuco, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), refletiu o clima quente das eleições para o próximo triênio. 

Os três candidatos procuraram manter uma postura civilizada, priorizando as propostas de cada um, mas a plateia, formada majoritariamente por exaltados partidários das chapas fez barulho e, em muitos momentos, foi indelicada ao dirigir vaias.

Papel institucional

No primeiro bloco, os candidatos responderam a perguntas elaboradas pelos estudantes de Direito da UnB, que queriam saber qual o papel institucional da OAB perante a sociedade. Paulo Roque fez quase um discurso, com entonação marcada, afirmando que a “Ordem perdeu o protagonismo e a sociedade sente o silêncio da OAB”. Juliano Costa Couto pediu uma posição ainda mais “altiva” e pregou a independência. “A OAB pode criticar um ato do governo pela manhã e elogiar outro à tarde. Isso é independência”, afirmou. Délio Lins e Silva Junior pregou uma maior aproximação da OAB com a sociedade e disse que vai “criar a Comissão de Defesa da Sociedade”. 

A pergunta seguinte dos estudantes foi a respeito dos jovens advogados, que seriam tratados como “boys de luxo”. Délio disse que a OAB deve criar um selo de qualidade para fiscalizar os escritórios “e exigir o cumprimento do estágio como extensão do aprendizado e o piso salarial”. Paulo Roque afirmou que a “faculdade só ensina o aluno a acusar e não a advogar e que protegerá o estagiário”. Costa Couto ressaltou que durante a atual gestão se envolveu pessoalmente na formação do jovem advogado, ministrando cursos “em todas as subseções para mostrar como eles podem aproveitar melhor as oportunidades da profissão”.

Armadilhas, provocações e risos na plateia

Durante o debate , as farpas foram inevitáveis. Lins e Silva caiu numa armadilha de Costa Couto e elogiou a condução da política de defesa da profissão, mas logo afirmou que “foram casos pontuais”. Disse ainda que não concorda que a OAB vá para a rua protestar contra autoridades que desrespeitem advogados, “como se fossem palhaços”. Costa Couto disse que não vê nenhum “palhaço entre os advogados do Distrito Federal”, e prometeu lutar pela criminalização de quem desrespeitar o trabalho do advogado. 

O candidato Paulo Roque, que minutos antes respondeu a Lins e Silva que estava ali para discutir propostas e não pessoas – referindo-se a membros de sua chapa que já foram dirigentes da OAB-DF –, perguntou a Costa Couto se ele conhecia Horácio Lessa de Carvalho. Ouviu de bate-pronto: “Pensei que iríamos discutir propostas e não pessoas”, provocando risos.

Paulo Roque reclamou de ter sido vítima de um vídeo veiculado pelas redes sociais, recebendo a solidariedade de Costa Couto, que citou duas gravações feitas contra ele.

Outro momento polêmico foi quando Lins e Silva tentou desvincular sua imagem do ex-presidente Francisco Caputo, dizendo que foi “um mero conselheiro” naquela gestão. Não pegou bem. “Os conselheiros da chapa dele não devem ter gostado”, alfinetou uma voz da plateia.

Pesquisa do Jornal de Brasília chama atenção

1 – A larga liderança de Costa Couto (36% contra 14,5% de Lins e Silva, o segundo) apontada pela pesquisa de intenção de votos que o Jornal de Brasília encomendou ao Instituto Soma foi o assunto dominante na platéia antes do debate. 

2 – Antes mesmo da chegada dos candidatos os apoiadores das chapas se estranharam e só não chegaram às vias de fato por causa da intervenção dos seguranças. 

3 – O atual presidente da OAB, Ibaneis Rocha, e o antecessor Francisco Caputo foram muito citados no debate, mas nenhum dois estava no auditório. 

4 – O fato de um consultor do debate, Pedro Ivo Velloso Cordeiro ser sócio de um dos candidatos ao Conselho Federal da OAB na chapa de Lins e Silva causou algum mal-estar entre os participantes e foi registrado pelo público. 

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