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Política & Poder

Cleitinho diz que vai tentar ‘de todo jeito’ convencer o Republicanos a deixá-lo disputar o Governo de MG

Em entrevista a jornalistas, Cleitinho reafirmou sua intenção de concorrer ao cargo e pediu desculpas ao partido, mas disse que não havia confirmado sua pré-candidatura porque vive um momento de luto

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 23h52

Cleitinho Azevedo

Fotos: Flickr REPUBLICANOS NA CÂMARA/ Júlio Dutra

ISADORA ALBERNAZ
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) afirmou nesta quarta-feira (29) que “tentará de todo jeito” convencer o presidente nacional de seu partido, o deputado Marcos Pereira (SP), a deixá-lo ser candidato ao Governo de Minas Gerais, após a sigla ter anunciado a desistência de lançar o parlamentar ao pleito.


Em entrevista a jornalistas, Cleitinho reafirmou sua intenção de concorrer ao cargo e pediu desculpas ao partido, mas disse que não havia confirmado sua pré-candidatura porque vive um momento de luto por seu irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, que morreu de leucemia aos 34 anos no último dia 18.


“Eu disse para minha família: enquanto o Matheus não estiver bem, eu não vou lançar minha candidatura.

Eu ainda estou de luto”, declarou. “A gente vai tentar de novo conversar com ele [Marcos Pereira] amanhã para poder tocar o coração dele e oficializar a minha campanha”, completou.

Ele convocou uma coletiva em Divinópolis (MG), sua cidade natal, em reação à decisão do Republicanos, tomada após meses de indecisão e suposto vaivém do parlamentar.


A Folha já havia mostrado que aliados de Cleitinho afirmam que ele insistirá numa conversa com a cúpula nacional do Republicanos para disputar o cargo. Na entrevista nesta noite, ele fez acenos a Marcos Pereira e evitou criticar a decisão do partido.


“Que fique claro aqui o meu respeito e admiração pelo presidente Marcos Pereira. Eu não tenho nada para falar dele a não ser falar bem. Só que entendo também essa questão do partido. O partido precisa se coligar, fazer articulações. O partido também estava nessa questão: ‘Cleitinho, você precisa se posicionar’.

Entendo. É legítimo eles pedirem isso. Mas é legítimo também eu passar por essa dor”, disse.


Segundo o senador, ele ficou de conversar com o cacique do Republicanos nesta semana. Cleitinho também negou ter participado de reuniões com outros partidos, como PP, União Brasil e PL, para selar sua desistência e apoiar outro nome.


“Se eu não vier candidato, não vou apoiar essa chapa que querem montar. Essa chapa é minha e do Falcão [Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos] Não é nada contra nenhum dos candidatos”, disse. E questionou: “Qualquer partido, seja de esquerda ou direita, vai querer perder um candidato como eu, que está liderando pesquisas com 40% de intenção de voto? Acredito que o partido não vai querer me perder”.


Em nota publicada nesta quarta, o Republicanos disse que Cleitinho não correspondeu ao entusiasmo do partido em lançá-lo governador e menciona a indefinição do parlamentar sobre se tentaria ou não a eleição. Para a sigla, “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la”.


“Tal decisão nunca aconteceu. […] Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”, afirma a nota. Agora, a tendência do Republicanos em Minas é apoiar o ex-deputado Marcelo Aro (PP) para o governo.


O senador afirmou que se comprometeu a anunciar a pré-candidatura depois da Copa do Mundo, que terminou em 19 de julho, mas relatou que, na sequência ao evento esportivo, seu irmão fez um transplante e depois teve de ser internado. “Que clima eu tenho para fazer uma coisa dessa? Não tinha situação nenhuma semana passada para poder fazer isso”, declarou.


A situação se agravou porque ele também não compareceu à convenção do Republicanos em Minas, no sábado (25), que coincidiu com a missa de sétimo dia do irmão. O parlamentar disse que avisou à legenda que faltaria por não ter “cabeça e energia” e que falou a Pereira, após o evento, que seria candidato. “Ele me respondeu: ‘Está certo, Cleitinho’”.


Somente nesta semana, Cleitinho indicou ter topado disputar o Governo de Minas Gerais. Como mostrou a Folha, o senador avisou a aliados que seria candidato. Ele falou a respeito da decisão na noite de segunda-feira (27) com uma liderança do PL e com seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo.
Cleitinho lidera as pesquisas em Minas Gerais. Segundo levantamento Quaest publicado nesta terça, ele tem 35% de intenção de votos no primeiro turno, 23 pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem 12%.


A candidatura do senador estava no centro de uma série de negociações entre partidos, envolvendo inclusive o cenário nacional e o apoio ao presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ). O prazo para a definição de coligações termina em 5 de agosto, último dia para realização de convenções.


Sem um candidato forte em Minas, estado considerado estratégico na eleição nacional, o PL de Flávio pretendia apoiar Cleitinho caso ele fosse candidato. Com isso, o partido esperava que o Republicanos retribuísse formando uma coligação com Flávio, atualmente isolado e rejeitado pelas siglas do centrão.


Até a noite de terça-feira (28), a possibilidade de coligação entre o PL e o Republicanos não havia avançado. Além de Minas, os partidos precisavam acertar acordos em outros estados, como Acre e Mato Grosso. Pereira diz que está consultando os diretórios estaduais do partido para decidir sobre a coligação.

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