JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS)
Candidato derrotado ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) afirmou nesta terça-feira (6) que vai contestar na Justiça o desfecho dos resultados nas urnas.
Foi a primeira declaração pública de Ciro desde o domingo (4), quando foi derrotado pelo governador Elmano de Freitas (PT). O petista teve 53,19% dos votos válidos contra 46,22% do tucano e foi reeleito no primeiro turno no Ceará.
“Não cumprimentei o candidato vitorioso. Ele não ganhou, ele e sua organização criminosa tomaram as eleições! Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é que fomos roubados”, afirmou.
O governador Elmano foi procurado pela Folha, por meio de sua assessoria, para se manifestar sobre as declarações, mas não houve resposta.
As declarações foram feitas em uma postagem nas redes sociais com o título “manifesto ao povo cearense”. No texto, Ciro afirmou que vai acionar a Justiça e fazer uma reclamação oficial sobre o resultado das urnas.
“Consultado pelo jurídico de nossa campanha, concordei que fosse feita uma reclamação à justiça -digo logo que não acredito nela neste país apodrecido mas vale documentar que sigo lutando” afirmou.
Ciro contesta a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli de autorizar propaganda na TV de Elmano de Freitas e dos candidatos ao Senado nos dias que antecederam a eleição.
No dia 24 de setembro, Toffoli atendeu a uma reclamação da coligação de Elmano. O ministro determinou o acréscimo de 30 segundos ao tempo de propaganda eleitoral gratuita da coligação em cada veiculação no rádio e na televisão, sem perda de tempo de Ciro Gomes.
A campanha de Elmano reclamou que o tempo não foi acrescido à sua propaganda pelas emissoras de rádio e TV. As empresas de comunicação apontaram que não poderiam cumprir a determinação por falta de parâmetros claros da Justiça Eleitoral sobre o tema.
Toffoli reconheceu o descumprimento da ordem judicial e rejeitou a justificativa de falta de parâmetros. Dessa forma, o magistrado determinou compensação na sexta-feira (2) e no sábado (3), véspera da votação do domingo. A propaganda eleitoral gratuita já tinha sido encerrada na quinta-feira (1).
Na postagem nesta terça-feira, Ciro chamou Dias Toffoli de “ex-advogado do PT” e questionou os efeitos do conteúdo veiculado na véspera da eleição.
“Ele autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seis senadores durante a sexta e o sábado quando a lei, muito clara, veda a propaganda nesses dois dias que antecedem o pleito. Quantos cearenses aderiram ao PT por causa dessa inédita bateria de propaganda?”, questionou.
Na sequência, fez críticas diretas ao Supremo: “Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A república brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes nos assaltaram no domingo.”
O resultado das eleições no Ceará amplia a hegemonia do PT, que chega ao quarto mandato no estado, e impõe um revés ao tucano, que buscava se reerguer politicamente a partir do seu berço político após quatro derrotas em eleições presidenciais.
A campanha foi marcada por palanques pulverizados, disputas judiciais e uma estratégia de “terra ocupada” dos candidatos. Aliados até 2022, Ciro e Elmano trocaram acusações ao longo da campanha e chegaram a discutir com os dedos em riste em um debate na TV.
Após disputar quatro eleições presidenciais, Ciro tentou se reerguer a partir do seu berço político. Ele voltou ao PSDB após três décadas e disputou a eleição aliado a partidos de direita como União Brasil, PP e PL, mantendo a neutralidade na disputa presidencial.