Francisco Dutra
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Com palavras neutras, o diplomata Rômulo Neves publicou ontem em sua página no Facebook a carta de despedida da Chefia de Gabinete do governador Rodrigo Rollemberg e do PSB. No texto, antecipado pelo Jornal de Brasília, Neves reafirma que permanecerá na base governista e apontou pontos fortes e fracos da gestão.
Na análise do diplomata, as secretarias de Planejamento e Fazenda se destacaram pelos esforços para a recuperação da capacidade financeira do Distrito Federal. Mas Neves enfatizou que os cuidados com a austeridade dos gastos precisam continuar.
“Devo registrar também que algumas áreas já apresentaram avanços e deverão seguir com resultados bastante satisfatórios, com destaque para a Educação e a Segurança Pública, que, mesmo com a crise orçamentária em curso, atingiram bons números”, teclou.
Por outro lado, Neves alertou que o governo precisa redobrar os esforços nas áreas de Saúde e Mobilidade. “Em ambos os casos, o Governo terá de vencer entraves históricos, potencializados por problemas conjunturais”, explicou. Para ele, o Buriti terá que contrariar “interesses políticos históricos” para concretizar as mudanças.
Para o diplomata, o governador deveria dedicar atenção especial para as questões do sistema prisional, os resíduos sólidos, o sistema socioeducativo e a grilagem de terras. Segundo Neves, a articulação política será um dos principais desafios de 2016.
Candidatura é provável
Politicamente, o primeiro texto de Rômulo Neves na fase “pós-Buriti” tocou no delicado ponto das relações entre o GDF e os órgãos de controle. Segundo o diplomata, estas instituições regularmente agem de forma politizada para temas que deveriam ser mediados.
Em processo de migração do PSB para a Rede Sustentabilidade, Neves escreveu que sua decisão não foi norteada pelo fato de uma eventual candidatura para o cargo de deputado federal em 2018.
“Diferentemente do informado pela imprensa, minha decisão de disputar as eleições em 2018, como candidato à Câmara Federal, não foi um fator crucial para minha saída do PSB, já que teria condições de disputar as eleições também pelo meu partido anterior”, afirmou.
Neves não considera a candidatura imprescindível. A mudança de legenda não foi pragmática. “Preciso ter confiança no projeto político, para poder trabalhar com o estímulo necessário. É no projeto apresentado pela Rede que recuperei esse estímulo”, justificou. E apesar da desfiliação, Neves garante que ainda nutre boas relações com o PSB.