A diferença que separa um candidato da vitória pode ser obtida mediante negociações com quem controla ou influencia colégios eleitorais. E é isso que estão fazendo Rodrigo Rollemberg (PSB) e Jofran Frejat (PR), conversando com adversários que ficaram pelo caminho e com parlamentares eleitos.
O resultado de 45,23% a 27,97% de Rollemberg sobre Frejat sofrerá alterações no segundo turno, daqui a duas semanas. Cabe ao senador aumentar a margem sobre o adversário, que por sua vez tenta desconstruir o primeiro colocado.
O candidato do PR agiu rápido. Logo na primeira semana trouxe para sua base PHS, PEN e PTdoB. A favor dele votações expressivas, como a do distrital Alírio Neto (PEN), que teve 78.945 votos e foi o mais votado fora da lista de oito eleitos. Também foi o caso de Lira (PHS), escolhido para a Câmara Legislativa por 11.463 eleitores, na mesma coligação do PTdoB.
Mais votados
Em Brazlândia, votação apertada para o governo. Rollemberg venceu com 36,2%, mas foi seguido de perto por Frejat, que teve 34,3% dos votos. O cenário foi bem diferente no resultado para deputado distrital. Juarezão (PRTB) conseguiu o primeiro mandato com 34% dos votos em Brazlândia, vencendo o segundo em quase 9 mil votos.
Apesar de compor a chapa de Frejat, Juarezão ainda não tem certeza sobre os apoios do segundo turno. “Os dois me procuraram, mas eu ainda não defini. Eles me ligaram, mas estou aguardando uma conversa. Acredito que é possível transferir meus votos, mas não totalmente. Mas mesmo assim, tem muita gente me esperando para definir o voto”, explicou.
O PMDB declarou neutralidade. O distrital Robério Negreiros – reeleito com a segunda melhor votação, 25.646 eleitores – garante não ter candidato, mas caso fosse preciso pedir o apoio a algum deles, haveria facilidade, apesar do eleitorado disperso pelas cidades. “Participei de uma comemoração pela reeleição que tinha seis mil pessoas, mas criamos grupos em todas as cidades. Esse conceito de curral eleitoral não existe mais nem no Nordeste, onde era comum”, disse. O distrital não venceu em nenhuma das 21 zonas eleitorais, mas alcançou dois quartos lugares, na 6ª e na 21ª e foi o quinto na 6ª. Robério pretende cumprir a decisão do PMDB.
Três partidos na mesma cidade
Planaltina tem uma das situações mais curiosas. Lá, o mais votado foi Professor Jordenes, do PPS, membro de uma coligação sem nenhum eleito. O segundo foi o distrital Cláudio Abrantes (PT), mas foi engolido por sua coligação e acabou como primeiro suplente. O melhor colocado que exercerá mandato em 2015 foi Rafael Prudente (PMDB).
Na cidade, Jofran Frejat venceu apenas na 6ª zona eleitoral, por 64 votos. Ele garantiu o segundo lugar em outras 17 localidades. A apuração final mostrou Frejat com 20,07% dos votos.
Aproximação
O distrital Doutor Michel (PP) conseguiu uma grande concentração de votos em Sobradinho e acabou com 14.279 votos apenas na localidade e conseguiu somar pouco mais de 8 mil votos em outras cidades para se consolidar no quarto lugar geral. Mesmo após o PP ter também se decidido pela neutralidade, Michel demonstra mais proximidade de Rodrigo Rollemberg. Caso Michel se alinhe com o candidato do PSB e seja indicado para uma secretaria — a de Justiça, por exemplo —, Cláudio Abrantes o substituiria.