Militantes da causa LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) criaram um site que reúne 202 candidatos que defendem os direitos dos homossexuais em todo o País. O #VoteLGBT é uma campanha, segundo os organizadores, suprapartidária com o objetivo de aumentar a representatividade pró-LGBT dentro dos partidos políticos e também no poder legislativo brasileiro.
No DF, o site lista 12 candidatos a deputado distrital, sete a federal e um ao Senado. O mapeamento de candidaturas, de acordo com o próprio site, “é feito baseado em material de campanha, bem como evidências de atuação parlamentar favorável às questões LGBT”.
Uma das que concorrem a uma vaga de distrital citadas pelo #VoteLGBT é Ruby da Saúde (PPL), 33 anos, a primeira transexual a se candidatar no DF. “Não tem ninguém para representar o grupo LGBT na Câmara Legislativa”, explica sobre a motivação para entrar para a política.
Transformista desde os 16 anos, Ruby já foi pastor de igreja evangélica, “prostituta” e agora trabalha como “técnica de enfermagem” em um hospital público do DF. “Os pacientes e colegas de trabalho são os maiores incentivadores”, conta.
Para se dedicar à campanha, ela trancou a faculdade de enfermagem e se divide entre o trabalho e o corpo a corpo com os eleitores.
Orgulho
Candidata a distrital, Maninha (PSOL) é listada no site como defensora da causa. “Não abracei isso de agora”, explica ela, que já foi deputada distrital, federal e secretária de Saúde do DF. Maninha orgulha-se de ter sido a autora da Lei 1.615/2002, que penaliza a discriminação de qualquer natureza.
Em tempos que candidatos se esquivam do tema para não melindrar as relações com os conservadores, Maninha se diz “ativista” do movimento. “Sempre estive solidária, simpatizante e trabalhando com a comunidade LBGT. Tenho total identificação com a causa”, garante.
Questão de humanidade
Candidato à Presidência, Levy Fidelix (PRTB) causou polêmica ao classificar a homossexualidade como distúrbio psicológico, comparar homossexuais a pedófilos e pedir a sociedade para “enfrentar” esse segmento da população, durante debate na Rede Record. E foi duramente repreendido pela comunidade LBGT. A Ordem dos Advogados do Brasil, inclusive, entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da candidatura dele. Ao contrário de Fidelix, a deputada federal e candidata à reeleição, Erika Kokay (PT), faz questão de manifestar seu apoio aos homossexuais. “É uma questão de reconhecimento de humanidade. Eu me pergunto por que nem todos apoiam”, afirma.
Citada pelo #VoteLGBT como apoiadora da causa, ela diz defender os direitos humanos, “o direito de as pessoas viverem sua humanidade”.
Além de apoiar o projeto que criminaliza a homofobia, que já passou pela Câmara dos Deputados e está no Senado, ela é autora do Projeto de Lei 5002/2013, proposto em conjunto com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), conhecido como “Lei de Identidade de Gênero”. Trata-se de uma tentativa de desburocratizar a escolha do gênero de cada indivíduo.
Também é de autoria dos dois a proposta de casamento civil igualitário que tramita na Câmara, sob a forma do PL 5120/2013.
Candidatos do DF que defendem a causa
Deputado distrital
Solange Calmon (PCdoB), Karina Sena (PT), Fábio Felix (PSOL), Fabiana Ferreira (PTdoB), Clarice Trevi (PSL), Rejane Pitanga (PT), Ruby da Saúde (PPL), Fernando Alcântara (PCdoB), João Francisco Maria (PSB), Raul Cardoso (PT), Karine Ribeiro (PSOL) e Maninha (PSOL)
Deputado federal
Márcia Teixeira (PSTU), Flavio Brebis (PSB), Eliana Pedrosa (PPS), Raphael Sebba (PSB), Rafa Madeira (PSOL), Erika Kokay (PT), Toncá Burity (PSOL).
Senador
Aldemário (PSOL)
Ponto de vista
Defender a causa LGBT “não é um bom negócio eleitoral”, afirma o professor da UnB, Vicente Faleiros (foto), que é pós-doutor em Ciências Sociais e Ciências Políticas. “A sociedade é muito moralista e os candidatos, que querem adesão da maioria, consideram esse público ainda muito marginal” explica.
Para Faleiros, falta uma discussão política sob a perspectiva dos direitos humanos, “que ainda não impregnou as campanhas”.
Saiba mais
Para designar o gênero dos candidatos, o site utiliza um “x”: deputadx, senadorx etc.
O “x”, de acordo com os organizadores, “é uma forma de protesto contra a heteronormatividade – sistema social baseado na opressão de qualquer pessoa que não se encaixe nas categorias “homem” e “mulher” alardeadas pelos fundamentalistas e conservadores”.