Com tempo de rádio e televisão limitado – entre cinco e 20 segundos – os candidatos a deputado federal e distrital ficam diante de duas opções. Podem perder-se entre as dezenas que se limitam a proclamar fidelidade a causas como educação, saúde e segurança ou podem apelar para algo chamativo. Nesse caso, já identificaram regras básicas. Não podem ter medo do ridículo, nem precisam fazer algo compreensível. O importante, afirmam, é serem lembrados.
“O brasileiro é criativo por natureza, o dinheiro para campanha está curto e tempo é dinheiro. Então, pensei numa maneira de chamar a atenção. Quando bato o martelo, as pessoas olham para a TV. Com meu martelo, mostro também a força do trabalho, a seriedade da política. É um aviso: ‘Ó, o tempo é curto, presta atenção’”, explica a candidata a distrital Telma Gomes (DEM).
A estratégia deu certo, avalia Telma. Quando faz caminhadas pelo DF, “a candidata do martelo”, como diz, é lembrada pela população. “São sete segundos e ainda assim as pessoas lembram”, comemora.
Durante as gravações, é tão enfática que chegou a machucar o próprio dedo com as marretas. “Olha aqui. Fui bater bem forte na mesa e rasguei meu dedo”, aponta.
Islâmica
Outra que aposta na autenticidade é Sandra Leite, do PCB. Vidente e adepta da religião islâmica, em seus 20 segundos de horário eleitoral, ela aparece vestida com um “hijab”, usado por mulheres árabes. “Eu não podia esconder a minha fé dos eleitores”, afirma a candidata a distrital.
Sem medo de parecer estranha, ela diz que a vestimenta não tira a seriedade da propaganda. Pelo contrário. Ela adotou a religião islâmica depois de adulta e acredita que parece até séria demais. “Sou despachada, carioca. Nosso país que não é sério. Aqui, o certo é errado e o errado é certo”, critica Sandra, enquanto ajeita o hijab na cabeça.
Slogan até no nome
E se propaganda é a alma do negócio, por que não fazer do próprio nome político o slogan da campanha? Daniel Xavier, ou melhor, “Agora é Daniel”, do PROS chama atenção do eleitor não só pela auto-alcunha, mas também pelas palmadas no fim do acelerado tempo na TV. “Tenho nove segundos apenas e eu tinha que arrumar um jeito de fazer o eleitor lembrar de mim. E como trabalho com política há mais de 30 anos, nos bastidores, pensei que agora era minha vez, minha única chance. Aí, ficou ‘Wel, Wel, Wel, Agora é Daniel’”, canta, ao telefone, o candidato a distrital.
Com a família
Há ainda quem prefira um tom mais calmo, com discurso em prol da família. Não basta mostrar o rosto sozinha, Gizeli Nicoski, do PSC, vai para a frente das câmeras junto com o marido e a filha mais nova, de cinco meses. “A gente faz tudo junto, não temos babá nem nada disso, então, achamos que seria legal mostrar que estamos juntos também na campanha”, explica.