Os ataques pessoais foram reduzidos a quase zero no último debate entre os candidatos ao Palácio do Buriti, realizado pela Rede Globo. Apesar de Jofran Frejat (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB) terem subido o tom nas últimas semanas sempre que puderam, na noite de ontem as propostas prevaleceram.
A três dias das eleições, os dois concorrentes preferiram deixar em segundo plano as acusações que têm feito na propaganda eleitoral e em debates passados para realizar uma discussão a nível mais alto.
Enquanto Frejat continuou promovendo a promessa de abaixar a tarifa a R$ 1, Rollemberg preferiu centrar-se no combate à burocracia e nas eleições diretas para administradores regionais.
Quais as objeções
O programa deu sinais de que poderia esquentar quando Frejat perguntou ao adversário quais eram suas objeções à tarifa de R$ 1. Rollemberg respondeu falando sobre o que considerava inviabilidade econômica da proposta.
“Eu sou a favor da tarifa zero, mas ainda não é possível implementar. Essa proposta, da tarifa de R$ 1, foi feita de forma irresponsável, eleitoreira. O candidato diz que o IPVA vai ser usado, mas esqueceu que já está comprometido com educação e saúde. Diz também que ia mudar a destinação do IPVA por decreto. Como ex-parlamentar, deveria saber que não é possível”, criticou.
Rollemberg ainda subiu o tom, assegurando que “afirmam por aí que, caso a tarifa fosse realmente implementada, o Buriti precisaria aumentar impostos.
Viabilidade
Frejat refutou o argumento e garantiu que há plena viabilidade de implantação. “Vejam como o candidato é inexperiente e não tem conhecimento. Em nenhum momento se disse que o IPVA vai ser mudado, mas sim que a tarifa vai ser de 1 real a partir do primeiro dia. Não há nada de complicado. Isso foi calculado. O IPVA está sendo usado hoje para pagar cabide de emprego e haverá só um remanejamento. Tenho certeza de que a tarifa vai ser implantada”, afirmou.
Forma de escolha é questionada
Quando Rodrigo Rollemberg trouxe a proposta de eleições diretas para administrador, o adversário deu o troco. “Primeiro precisa mudar a Constituição e a lei. Imagine que você escolhe um administrador por eleição. Se ele comete um malfeito, como tirar, a não ser pela Justiça? A Constituição não permite municípios. O que pode ser feito é colocar um conselho. Até porque se o administrador for um adversário do governador, vai haver um confronto. Na verdade, essa sim é uma proposta eleitoreira, para levar a população a acreditar que eleição vai ser possível” criticou Frejat.
Na réplica, o candidato do PSB garantiu que será elaborado um formato coerente. “Ainda na transição, vamos ouvir moradores, associações comerciais. Vamos iniciar o debate e a Câmara Legislativa para construir o melhor modelo. Vamos mudar a lei e cumprir a Lei Orgânica”, disse.
A demonstração mais clara que os dois candidatos deixaram de lado as críticas foi durante as considerações finais. Rodrigo Rollemberg exaltou o alto nível do debate e cumprimentou Jofran Frejat, que, por sua vez, falou sobre a vitória pessoal, de ter saído do interior do Piauí e ter chegado à candidatura ao governo.
Frejat procura fazer ligação com Agnelo
Também houve discordâncias quando Frejat lembrou a participação do PSB no governo Agnelo. Para ele, houve traição ao deixar o governo, após Rollemberg indicar dois secretários.
“Estou preocupado. O senhor fez parte do governo Lula, trabalhou com Dilma. Depois com Agnelo, quando começou a ter problemas, você traiu o partido que te elegeu. Aí agora mudou da Marina para o Aécio. O que deve fazer o companheiro, quando não está indo bem, deve ajudar a melhorar. Isso é, ou inexperiência, ou falta de compromisso”, disparou.
Cabos eleitorais
Rollemberg ironizou o adversário, dizendo que os cabos eleitorais de Agnelo estariam pedindo votos para Frejat e explicou a decisão do partido de sair do governo. “Estou filiado há 30 anos no PSB e nunca participei do governo. Nessa eleição, decidimos seguir um caminho, com coerência, sempre ao lado da população”, resumiu.
Saiba mais
A mobilidade urbana ganhou maior destaque quando a Região Metropolitana foi o tema do debate.
A proposta de implantação do trem de passageiros na linha férrea que vem de Luziânia foi defendida pelos dois candidatos, assim como já vinha acontecendo desde o primeiro turno.
Só que, pela primeira vez, Rodrigo Rollemberg falou em criar outra rota, partindo da Rodoferroviária e chegando até Águas Lindas, em Goiás.
Frejat prometeu criar condições para que os empresários permaneçam no DF.