Candidatos têm, cada vez mais, aproveitado do sobrenome de Joaquim Roriz (PRTB), quatro vezes governador do Distrito Federal, para angariar votos. Filhas, sobrinhos e neto buscam nas urnas manter a influência do ex-governador. O problema é que até quem não tem parentesco algum tenta se aproveitar do legado de Roriz para ludibriar eleitores.
Principal herdeira política do Roriz, segundo os próprios primos, a distrital Liliane Roriz (PRTB) critica os que se aproveitam do trabalho de seu pai para tentar arrancar votos entre os eleitores. De acordo com a deputada, apenas ela e a irmã, a federal Jaqueline Roriz (PMN), têm a autorização para usar o sobrenome da família e, ainda sim, sem aproveitar-se eleitoralmente do trabalho deixado pelo patriarca.
O discurso de pai para filhas é reproduzido pela própria Liliane aos primos. “Eu falo a mesma coisa com os primos. Digo a eles que devem caminhar com as próprias pernas e não usar o nome dele (Joaquim Roriz). Se fizerem um trabalho que a cidade aprove, tendo o sobrenome Roriz, não tem o menor problema”, afirma Liliane Roriz.
Filho da falecida irmã do ex-governador, Íris, Dedé Roriz (PRTB) afirma que se apresenta sim como parente do ex-governador. “Peço votos mencionando que sou sobrinho de Roriz. Vou as satélites, onde a rejeição dele é menor. A sucessora legítima dele é a Liliane, mas vi que há espaço para outras pessoas da família entre os 35% de eleitores cativos do meu tio”, declara.
Segundo Dedé, a ideia da família é pedir à Justiça, em eleições futuras, que seja proibida a utilização do sobrenome “Roriz” para pessoas que não o têm no registro.
Homônimos
Os problemas da família Roriz não se resumem apenas ao sobrenome. No mês passado, o Tribunal Regional Eleitoral decidiu que a candidata a distrital Jaqueline Gonçalves Roriz (PRTB) poderia manter o nome “Jaqueline Roriz” nas urnas, o mesmo que da federal Jaqueline Maria Roriz. O advogado da deputada federal argumentou que o eleitor poderia acabar se confundido, mas não teve jeito.
Sobre a semelhança dos nomes, Jaqueline Gonçalves afirmou ser coincidência.
Sem permissão e até sem ser comunicado
A candidata a distrital pelo PRTB, Patrícia Roriz chama-se, na verdade chama-se Patrícia Helena Almeida de Araújo. Nenhuma referência faz a seu nome, exceção feita à ficha apresentada à Justiça Eleitoral. Uma seguidora de Patrícia Roriz no Facebook referiu-se ela como a ex-mulher de Tadeu Roriz, administrador do Lago Sul. Ele também não tem parentesco com Joaquim Roriz. E também não tem Roriz no nome do registro civil. Seu sobrenome é Araújo, do pai José Cruciano de Araújo, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás. Araújo consta também como sobrenome de Patrícia Helena. Ainda na internet, uma seguidora afirma que a candidata se apresentou como sobrinha, informação negada pela família Roriz.
Liliane condena a postura de Patrícia: “Isso é questão de bom senso. Se estivesse no lugar dela, jamais faria isso. Ao menos pediria a licença a dona Weslian e Joaquim Roriz.
Patrícia Roriz foi procurada pela nossa reportagem, mas não quis se pronunciar.
Como se fosse uma
Em seu perfil no Facebook, a candidata Patrícia Helena Almeida de Araújo usa o nome e posta fotos com o patriarca da família, Joaquim Roriz e com a mulher dele, dona Weslian. Nos comentários sobre as fotos em que ela aparece abraçada com o casal, internautas chegam a confundi-la com uma das filhas do ex-governador. A candidata evita cuidadosamente desmentir essas observações. A família já deu sinais de que não gosta nada da coisa.
Quem usa o nome
Jaqueline e Liliane, filhas.
Joaquim Neto, neto do ex-governador.
Paulo e Dedé, sobrinhos.
Jaqueline Gonçalves, que afirma ser prima de segundo grau.
Michel e Patrícia Helena, sem parentesco com a família.