A troca de farpas, cada vez mais agudas, segue entre os candidatos ao governo do Distrito Federal. Três deles participaram ontem de sabatina na Federação da Agricultura e Pecuária do DF e não deixaram de lado os ataques. José Roberto Arruda (PR) chegou a chamar Rodrigo Rollemberg (PSB) de “Agnelozinho”. Por outro lado, o candidato do PSB afirmou que o governador Agnelo Queiroz (PT) o critica porque está com medo de seu crescimento. O único que evitou confrontos mais diretos durante a sabatina foi Agnelo, que negou uma ofensiva nos últimos dias.
Foram convidados para a sabatina os três candidatos mais bem colocados nas últimas pesquisas.
Propostas
O primeiro a falar foi Agnelo Queiroz. Segundo ele, os agricultores e pecuaristas trabalham em uma área que recuperou a previsibilidade graças aos investimentos do GDF, como por exemplo, o batalhão rural e as compras de alimentos da Agricultura Familiar. “Antes de mim, cada um fazia o que queria”, criticou. O candidato pediu o voto de confiança para dar continuidade ao projeto.
Rodrigo Rollemberg explorou pontos como a importância do turismo rural, a regularização fundiária e, principalmente, a melhoria da infraestrutura. “Ao final dos quatro anos de mandato, a área rural estará um brinco. Fiz cálculos e sairia por menos de R$ 100 milhões a pavimentação de rodovias importantes para o agronegócio”, disse.
Já Arruda, último a ter a palavra, disse que ouviu os discursos anteriores e viu muita semelhança entre os adversários. “Rodrigo é Agnelo 2, o pesadelo continua”, ironizou. Para ele, não adianta falar em regularização se não houver entrega de escrituras. O candidato do PR prometeu também a volta da distribuição de pão e leite, para a população, e adubo e sementes para o agricultor.
Agnelo nega que meta seja segundo lugar
Nos últimos debates, televisionados ou não, o candidato à reeleição mudou o foco das críticas. Passou de Arruda para Rollemberg, com quem tem tido índices de intenção de voto parecidos nas últimas pesquisas. Mesmo com uma postura mais contundente, Agnelo se recusou a comentar os recentes ataques em direção ao adversário. Ao ser questionado se fazia uma ofensiva pelo segundo lugar, o petista se limitou a dizer: “não”.
O candidato do PSB contra-atacou. Classificou as críticas, feitas por Agnelo, como medo de perder a segunda colocação. “Ele aumentou as críticas porque está desesperado. Percebeu que eu estou crescendo e corre o risco de não ir para o segundo turno”, rebateu.
Arruda continuou as críticas falando sobre as semelhanças entre Agnelo e Rollemberg. “Um já provou a sua ineficiência e o outro quer provar também. Mas o modelo deles é igual. Se você vê o discurso do Rodrigo de hoje é igualzinho o do Agnelo de quatro anos atrás. É a mesma coisa, sem tirar nem pôr. É o tipo de personagem que quando está na oposição é um craque para criticar os outros, mas quando você bota uma enxada na mão dele para trabalhar, ele não sabe fazer”, disparou Arruda. O ex-governador ainda lembrou que o PSB fazia parte da coligação que elegeu Agnelo Queiroz nas últimas eleições.
Sem preferência
O presidente da Fape-DF , Renato Simplício, garante que a entidade não possui qualquer preferência em relação aos concorrentes ao Buriti, mesmo convidando apenas os três primeiros colocados nas pesquisas. “Todos eles tiveram tratamento equânime, sem nenhuma predileção por candidato a, b ou c, até porque, nosso estatuto prevê que temos que manter distância do ponto de vista partidário. Agora, baseado na proposta e na reação dos candidatos à aquilo que propusemos, cada uma faz a sua escolha”, explicou as intenções de se promover a sabatina.
saibamais
O próximo debate entre os candidatos do governo do DF ocorre na segunda-feira.
O encontro ocorrerá no Shopping Brasília, promovido pela revista Veja Brasília.
Estão confirmadas as participações de José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz, Toninho do PSOL e Luiz Pitiman.
O Jornal de Brasília realiza seu debate no dia 29, às 20h.