Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Política & Poder

Campanha antivacina teve pouco alcance entre candidatos nas eleições de 2020

Candidatos que tiveram apoio de Bolsonaro ou se alinharam com seus pontos de vista foram responsáveis por 74% das publicações antivacinação

Por FolhaPress 06/12/2021 12h54
Vacinas Vencidas

Ricardo Balthazar
São Paulo, SP

Mensagens do presidente Jair Bolsonaro e de seus seguidores que buscaram desacreditar vacinas contra a Covid-19 nas redes sociais tiveram pouca repercussão nas eleições municipais do ano passado, segundo um estudo que examinou centenas de publicações feitas durante a campanha.

Produzido por um grupo ligado à Rede de Pesquisa Solidária, que articula instituições acadêmicas públicas e privadas, o levantamento indica que a maioria dos candidatos que entrou na disputa pelas prefeituras preferiu apoiar a vacinação, inclusive boa parte dos que se alinharam a Bolsonaro.

Os pesquisadores analisaram mensagens sobre o assunto publicadas no Twitter por 181 candidatos a prefeito que concorreram em 17 grandes cidades, incluindo dez capitais. Das 628 postagens, 67% foram classificadas como favoráveis às vacinas, 17% como desfavoráveis e 16% como neutras.

Candidatos que tiveram apoio de Bolsonaro ou se alinharam com seus pontos de vista foram responsáveis por 74% das publicações contrárias aos imunizantes. Do total de postagens bolsonaristas sobre o tema, 30% foram classificadas como desfavoráveis, 57% como favoráveis e 13% como neutras

Foram consideradas desfavoráveis mensagens que questionaram resultados de testes sobre a eficácia dos imunizantes, fizeram comparações para desqualificar vacinas, destacaram efeitos colaterais adversos ou se manifestaram contra a ideia de tornar a vacinação obrigatória no país.

Publicações que comemoraram avanços nos ensaios clínicos, defenderam a ampla oferta de imunizantes ou explicaram sua importância para proteção da população foram consideradas favoráveis. Informações sobre o calendário de vacinação e de conteúdo técnico foram tratadas como neutras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Muitas mensagens foram baseadas na manipulação estratégica de informações que, mesmo verdadeiras, foram amplificadas ou distorcidas para alimentar a desconfiança nas vacinas”, diz a cientista política Lorena Barberia, da Universidade de São Paulo, coordenadora da rede de pesquisadores.

Para Pedro Bruzzi, sócio da consultoria de análise de mídias sociais Arquimedes e pesquisador da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, que participou do estudo, os dados apontam a fragilidade dos mecanismos adotados pelas plataformas da internet para conter a desinformação nas redes.

“Atores políticos não podem agir de forma irresponsável e isso passar despercebido”, afirma o pesquisador. “Pela natureza das posições que ocupam e seu peso institucional, essas pessoas precisam ser responsabilizadas quando investem contra uma política pública indiscutível, como as vacinas.”

Os pesquisadores encontraram poucas mensagens de Bolsonaro sobre a vacinação entre suas publicações no Twitter, mas analisaram também os discursos do presidente e verificaram que suas críticas aos imunizantes se tornaram mais frequentes no segundo semestre do ano passado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estudo publicado pela Rede de Pesquisa Solidária em maio mostrou que mensagens de Bolsonaro e seus seguidores nas redes sociais estimularam nesse período uma onda de ataques à Coronavac, vacina desenvolvida pela China e trazida ao Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo.

O levantamento feito agora sobre as manifestações dos candidatos a prefeito mostra que as mensagens favoráveis à vacinação alcançaram maiores índices de engajamento no Twitter do que postagens antivacina, com número maior de curtidas e republicações pelos usuários da rede social.

Para os pesquisadores, esse resultado reflete o apoio significativo que os imunizantes receberam da população brasileira nos últimos meses. Segundo o Datafolha, 91% dos brasileiros adultos já tinham se vacinado ou pretendiam se vacinar em maio, e apenas 8% não queriam tomar a injeção.

De acordo com os dados mais recentes do consórcio de veículos de imprensa, 77% dos brasileiros já receberam ao menos uma dose e 64,1% completaram o primeiro ciclo de imunização. Até agora, 8% dos brasileiros já tomaram também a primeira dose de reforço contra o coronavírus.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE








Você pode gostar