O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de provocar o cancelamento do debate eleitoral da TV Globo, que seria realizado nesta quinta-feira (1º/10).
A emissora suspendeu a transmissão após receber duas decisões judiciais que alteraram a dinâmica e a lista de convidados acertadas com as campanhas. A primeira determinação, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação petista e vetou o púlpito vazio com o nome do presidente, além de proibir perguntas direcionadas a ele. Lula havia informado na quarta-feira (30/9) que não participaria do encontro para conceder entrevista ao Flow Podcast.
Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate. Em nota, a TV Globo afirmou que as determinações sucessivas geraram “insegurança jurídica” e interferiram na liberdade dos veículos de comunicação para organizar os encontros entre os candidatos.
Durante entrevista coletiva, Caiado criticou a atuação dos tribunais e sustentou que o debate fortaleceria o processo eleitoral. “Lula provocou tudo isso. Ele foi o fator determinante de tudo isso”, declarou o candidato ao comentar o cancelamento a poucos dias da votação do primeiro turno, marcada para domingo (4/10).
As mudanças nas regras também motivaram a desistência do senador Flávio Bolsonaro (PL) horas antes do início da transmissão. O parlamentar, que havia confirmado presença, recuou após o veto do tribunal eleitoral aos questionamentos sobre a ausência do petista.
Outros postulantes ao Palácio do Planalto criticaram a suspensão do programa e a atuação do Judiciário. Romeu Zema (Novo) afirmou que a situação representa uma vergonha nacional, enquanto Augusto Cury (Avante) condenou o cenário político e defendeu sua candidatura de terceira via.