CATARINA SCORTECCI E CLEOMAR ALMEIDA
FOLHAPRESS
Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto nesta terça-feira (6), em Goiânia.
Caiado disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT. “Proporcionalmente Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral”, disse Caiado, que também exaltou o ex-presidente Jair Bolsonaro, “meu colega na Câmara por 20 anos”, que está em prisão domiciliar condenado por tentativa de golpe.
“Eu jamais neguei, em todas as circunstâncias, que se eu chegasse onde você vai chegar, eu iria assinar a anistia dele e de todos os [condenados] do 8 de janeiro”, disse Caiado.
“O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção”, disse Caiado.
O anúncio foi feito durante um ato com aliados e apoiadores e contou com a presença do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos reeleitos no domingo (4).
Flávio Bolsonaro discursou na sequência, agradecendo Caiado. “Vocês [plateia] pedem que ele [Caiado] seja ministro porque nós temos vários pontos convergentes. A gente concorda em 115%”, disse o candidato.
“Vou me inspirar muito na segurança pública em Goiás e em São Paulo”, continuou ele, acrescentando que vai “construir meio milhão de vagas de presídios e aumentar penas para chefes criminosos”. “A gente vai arregaçar com vagabundo”, afirmou Flávio.
“O Brasil tem um presidente da República que briga com quem está em outro continente, mas não briga por você, não briga com assaltante de celular, não briga com traficante, não briga com miliciano. Eu vou brigar por você”, continuou o candidato.
O senador também voltou a falar que em breve vai “encerrar a Era do Lula” e disse que já tem maioria para mudar a Constituição, em referência aos eleitos nas urnas de domingo para os assentos no Congresso Nacional.
“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, disse Flávio.
Uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) precisa ser discutida e votada em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado. Nas duas Casas, também é necessário ter três quintos dos votos, o equivalente a 308 deputados federais e 49 senadores.
Em outro momento do discurso a apoiadores, disse que “o povo brasileiro cansou do Lula” e voltou a criticar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Caiado é um crítico da esquerda e do presidente Lula (PT), e o apoio já era esperado. Mas, na reta final do primeiro turno e sem crescer nas pesquisas de intenção de voto, Caiado resgatou declarações de Flávio sobre Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master, e afirmou em peças de campanha que o candidato do PL “não tem compromisso com a verdade”.
“Um mentiroso se acostuma a mentir, mente para todos”, dizia a propaganda de Caiado, ao reproduzir frases de Flávio em que o presidenciável dizia não ter contato com Vorcaro, o que se revelou falso na sequência.
Nesta terça, em seu discurso, Caiado justificou: “Eu sou duro com todos. Não entro na campanha mole”.
O governador de São Paulo também dedicou parte do discurso desta terça a Jair Bolsonaro, o chamando de injustiçado. “Tentaram calar Jair Bolsonaro, humilharam, mas a voz de Jair Bolsonaro reverbera por meio de todos vocês”, afirmou Tarcísio.
“Com Jair Bolsonaro, aprendemos a ter orgulho de falar de Deus, a professar nossa fé, a falar da família, de liberdade, do direito de propriedade privada, da livre iniciativa”, disse.
“Sofremos durante quatro anos com os desmandos de um governo rancoroso, incompetente, mas está chegando ao fim. Nunca mais a gente vai ter o PT”, afirmou Tarcísio.
Outro derrotado no primeiro turno, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio nesta segunda-feira (5).
Caiado deixou o Governo de Goiás em março para concorrer à Presidência, mas acabou com apenas 2,18% dos votos válidos no primeiro turno, em quinto lugar. Ele teve o apoio de 2,6 milhões de eleitores.
Em Goiás, obteve sua melhor marca, 12,33%, equivalente a 472 mil votos bem menos do que o 1,8 milhão de votos com os quais foi reeleito governador há quatro anos.
Flávio Bolsonaro exalta maioria para mudar Constituição, e Caiado promete ‘corpo inteiro’ na campanha
Ex-governador de Goiás disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT
Foto: Divulgação/ PL