O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou no Uruguai que o Brasil perdeu capacidade de liderança na América Latina e de mediar conflitos como o das fábricas de celulose na fronteira uruguaia com a Argentina.
“Se eu estivesse conduzindo a política externa brasileira teria intermediado as tensões uruguaio-argentinas, link buscando uma solução dentro do espírito do Mercosul. Francamente, não vejo como o Uruguai teria ferido os fundamentos desse espírito ou que a construção prejudique os vizinhos”, disse FHC em entrevista publicada hoje pelo jornal “El País”, de Montevidéu.
O ex-presidente acredita que “ainda há tempo para apaziguar os espíritos”. A Argentina rejeita a construção da fábrica da empresa finlandesa Botnia na margem oriental do rio Uruguai, limite entre os dois países.
Para FHC, o Mercosul só “faz sentido como um caminho que leve efetivamente à integração. Não se deve limitar a um tratado de livre-comércio”.
O bloco deve ser baseado “em uma convergência de interesses econômicos, que sirvam para os períodos posteriores da integração”, afirmou.
Fernando Henrique falou do atual Governo uruguaio do presidente socialista Tabaré Vázquez, e disse que “visto do Brasil, aproveita o bom momento da economia internacional e respeita as regras da democracia”.
O ex-presidente chegou ao Uruguai para participar da conferência “América Latina: integração, fragmentação ou conflito?”. O evento acontece na próxima terça-feira no Parlamento uruguaio.