A família Bolsonaro colocou em marcha uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os estados, estratégia liderada pelo senador Flávio Bolsonaro e que ameaça alianças já encaminhadas com outros partidos. A diretriz busca garantir palanques “puro-sangue”, reforçar o vínculo com o número 22 e impulsionar o desempenho da legenda nas disputas pelo Senado em 2026.
Em São Paulo, o movimento pressiona o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que resiste a se filiar ao PL. Aliados avaliam que uma candidatura pelo partido poderia afastar o Centrão e dificultar sua estratégia eleitoral. O deputado estadual Gil Diniz já defende publicamente que o PL lance nome próprio no estado.
Em Minas Gerais, a mudança pode isolar o vice-governador Mateus Simões (PSD) e atingir o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Flávio passou a estimular a hipótese de lançar Nikolas Ferreira ao governo, mesmo sem entusiasmo inicial do parlamentar.
No Rio, o embate ocorre dentro do próprio PL. Enquanto o governador Cláudio Castro defende um nome técnico para uma possível eleição indireta, Flávio quer um candidato com força eleitoral para enfrentar Eduardo Paes na disputa direta.
A ofensiva também se estende a outros estados. No Espírito Santo, o PL recuou em negociações com aliados para lançar Magno Malta. Em Santa Catarina, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entrou no jogo ao apoiar publicamente Caroline de Toni ao Senado, tentativa de mantê-la no partido diante do risco de migração para outra sigla.
A estratégia reforça o controle do clã Bolsonaro sobre os palanques estaduais, mas amplia divisões internas e dificulta acordos com a direita fora do PL, apontou O GLOBO.