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Política & Poder

Bolsonarista lança candidatura ao TCU e embaralha disputa, que agora tem quatro nomes

Ele afirma que tem o apoio de outros 80 parlamentares. A decisão pode embaralhar ainda mais uma votação dada como incerta

Redação Jornal de Brasília

19/02/2026 18h05

Hélio Lopes / câmara dos deputados

Foto: Reprodução

Brasília, 19 – O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), da ala de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), anunciou nesta quinta-feira, 19, a intenção de lançar candidatura para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele afirma que tem o apoio de outros 80 parlamentares.

A decisão pode embaralhar ainda mais uma votação dada como incerta e pode comprometer um acordo firmado pelo presidente Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o PT.

“Após conversar com lideranças e refletir sobre o momento do País, comunico oficialmente que meu nome está à disposição da Câmara para ser candidato à vaga TCU, que será definida nos próximos meses”, afirmou.

Lopes afirma que conversou com Bolsonaro e demais lideranças nacionais até tomar a decisão. “Estive em diálogo com diversas lideranças nacionais, entre elas, o presidente Jair Bolsonaro. Foram conversas abertas sobre a importância de fortalecer os órgãos de controle e garantir respeito ao dinheiro público. Diálogos decisivos para a minha candidatura”, disse.

Ele agora é o quarto nome que entra na disputa pela vaga, que promete ser polarizada entre apoiadores de Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso porque, quando ainda estava em campanha, Motta acordou com o PT que, em troca do apoio à sua candidatura, ele asseguraria a vaga ao TCU para o partido de Lula.

O PT indicará Odair Cunha (MG) como postulante à vaga, enquanto o Centrão por enquanto tem dois candidatos: Hugo Leal (PSD-RJ) e Danilo Forte (União). A votação é feita no plenário da Casa – basta a maioria simples, sem segundo turno, para determinar o vencedor. A votação é secreta.

Esses integrantes alegam que o acordo firmado entre PT e Motta, com o aval do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) não teve o aval das demais bancadas partidárias. Pessoas a par das tratativas afirmam que Motta anunciaria a disputa após o carnaval. Com isso, a eleição poderia ocorrer já em março.

Nos bastidores, há um esforço para tentar unificar as candidaturas. Como não há segundo turno na eleição, a leitura é que duas candidaturas contra uma do PT poderiam pulverizar os votos e sacramentar a vitória de Odair Cunha. Por enquanto, nem o candidato do PSD nem o do União sinalizam que podem ceder. O cenário fica agora pior com a chegada de um terceiro nome.

Lopes disse que agora irá trabalhar pela candidatura. “Seguirei conversando com os parlamentares, apresentando minha trajetória e minhas propostas para contribuir com o fortalecimento do controle no Brasil”, afirmou.

O histórico do PT nas últimas eleições ao TCU é desfavorável a Odair. O próprio Cedraz (PFL-BA) foi eleito em 2006 em uma disputa que tinha um petista como candidato do governo – Paulo Delgado (PT-MG). Ele obteve 172 votos, ante 148 do adversário.

Em 2005, Augusto Nardes (PP-RS) recebeu 203 votos, enquanto José Pimentel (PT-CE) obteve 137.

Na última disputa, em 2023, vencida por Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), o governo não apoiou candidato. O hoje ministro obteve 239 votos, ante 174 de Fábio Ramalho (MDB-MG), ex-deputado que concorreu.

O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros. Seis deles são indicados pelo Congresso Nacional; os outros três são nomeados pelo Palácio do Planalto. A Corte é responsável, entre outras coisas, por analisar a prestação de contas do presidente da República e realizar inspeções e auditorias das contas da Câmara e do Senado.

Estadão Conteúdo

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